Big brother
Escreve o "Diário de Notícias" de hoje que o Governo está a preparar uma base de dados genéticos de todos os portugueses. Em nome do combate ao crime, adianta-se.
O assunto é sensível e perturbante. À partida, de facto, faz-me lembrar o "big brother" orwelliano, um estado policial e, na versão moderna, securitário. Todos os portugueses fichados geneticamente? Parece-me mal, mesmo com a pouca informação disponível e com a convicção de que o ministro responsável, Alberto Costa, tem uma mais que suficiente experiência de perseguição política para estar muito atento...
Mas... Mesmo que o ministro me ofereça garantias, o mesmo não acontece com tudo o resto. Por enquanto - e que se saiba... - os nossos dados fichados são mínimos e dispersos. Ou são já muitos, mas dispersos.
Mas... o meu (os nossos) perfil genético? Por aí à disposição? Parece-me mal, repito. Mesmo numa sociedade mais perigosa, mesmo com uma criminalidade mais científica e violenta. Não estará o Governo a alimentar uma presunção dramática da máquina burocrática do Estado - todos somos suspeitos -?
Em nome da segurança (?), 'aceitamos' ser filmados de cada vez que vamos ao multibanco, aceitamos que os extractos bancários nos digam (e a quantos mais?) onde fizemos os levantamentos, a quem pagámos... Em nome do conforto, aceitamos que a Via Verde nos controle as deslocações (e o estacionamento e os abastecimentos de combustível)... Em nome (outra vez) da segurança, aceitamos entrar em estádios cheios de câmaras, em artérias igualmente vigiadas, em lojas onde nos convidam a sorrir porque estamos a ser filmados...
Em nome da 'segurança' e - quiçá - da eficiência no combate ao crime, querem agora arquivar os meus genes!
É de mais! Em primeiro lugar, há aqui uma questão de direitos fundamentais: estão a querer saber mais do que podem e devem. Depois - como se fosse necessário acrescentar algo... -, há uma questão de confiança nos 'guardiões' da dita cuja base.
Não estou a ver que a 'nossa' PJ - ou seja lá quem for - seja suficientemente idónea para depositária de um base de dados deste tipo. Pois se qualquer processo em segredo de justiça é mais conhecido que um livro aberto...
Não há eficácia de investigação que justifique isto! Não há garantias que nos possam dar - logo se veria se cumpríveis... - que me levem a mudar de opinião. Já 'basta' o SIS, sem controlo eficaz, 'investigando' quem e como quer.
segunda-feira, março 28, 2005
domingo, março 27, 2005
Sobre o litoral
O “Público” de hoje, domingo de Páscoa, ‘descobriu’ que o mar está crescentemente a ameaçar a nossa costa – do Minho ao Algarve (melhor dizendo, de Espanha a Espanha) – e que, desde 1971, nada se fez verdadeiramente para estancar as ameaças.
Pois não! Mas queriam o quê? Medidas radicais num país de patos bravos? Verdade seja dita, o “Público” refere UM caso – entre 1986 e 1989 –, embora não faça justiça ao autor: Carlos Alberto Martins Pimenta, por acaso meu amigo e correligionário dos ‘velhos tempos’, o único governante que teve coragem e, por isso, andou guardado à vista e com poiso errante…
Lembro-me bem desse tempo: lembro-me do que era, por exemplo, a Polvoeira (ali no concelho de Alcobaça), dos insultos que ficaram nas poucas paredes da ‘paisagem lunar’ que restou depois das demolições.
Mas foi, de facto, caso único. Antes e depois, é um fartar vilanagem que comprova quem de facto manda em Portugal: uma propositada indefinição que permite, assim, que cada um faça o que quer, com ou sem necessidade de suborno ou tráfico de influências.
O “Público” escreve o que já escrevi, há uns anos, no “Jornal de Leiria”, num dos trabalhos que mais gozo me deu fazer: uma das ‘culpas’ é das barragens: o défice anual de deposição de inertes no mar é fantástico!
No que ao litoral da região de Leiria diz respeito, a culpa (sem aspas) é também da megalomania da Figueira da Foz e Coimbra, que quiseram transformar o portozinho da Figueira num portozão. Vai daí, toca de prolongar os pontões da foz do Mondego e de aprofundar o leito, chegando-se ao cúmulo de exportar areia para Espanha. É bom dizer que para este desastre que se anuncia também contribuiu o facto de a administração do porto arrecadar o dinheiro da venda da areia.
Por tudo isto, percebe-se a dificuldade de intervir: são muitos interesses, muito poderosos… Só com grande força e coragem políticas será possível.
Porque é preciso mexer com a máquina do Estado, acabando com as quintinhas e dando o poder a uma única entidade. Porque é preciso demolir tudo o que é ilegal, afrontando pequenos, médios e grandes interesses.
Mas são precisas força e coragem políticas para ir ainda mais longe: porque é preciso ‘entrar’ pela propriedade privada e deitar abaixo aquilo que esteja directamente ameaçado e seja mais caro proteger que demolir. Sem hesitações!
Se eu, e todos nós, vamos ter que pagar para proteger o litoral, então que paguemos para proteger o que é de fruição comum e não os egoísmos de uns quantos, que nos anos recentes souberam jogar com as indefinições legais.
Depois, então, será preciso proteger o que só foi colocado em risco por erros a montante.
O “Público” de hoje, domingo de Páscoa, ‘descobriu’ que o mar está crescentemente a ameaçar a nossa costa – do Minho ao Algarve (melhor dizendo, de Espanha a Espanha) – e que, desde 1971, nada se fez verdadeiramente para estancar as ameaças.
Pois não! Mas queriam o quê? Medidas radicais num país de patos bravos? Verdade seja dita, o “Público” refere UM caso – entre 1986 e 1989 –, embora não faça justiça ao autor: Carlos Alberto Martins Pimenta, por acaso meu amigo e correligionário dos ‘velhos tempos’, o único governante que teve coragem e, por isso, andou guardado à vista e com poiso errante…
Lembro-me bem desse tempo: lembro-me do que era, por exemplo, a Polvoeira (ali no concelho de Alcobaça), dos insultos que ficaram nas poucas paredes da ‘paisagem lunar’ que restou depois das demolições.
Mas foi, de facto, caso único. Antes e depois, é um fartar vilanagem que comprova quem de facto manda em Portugal: uma propositada indefinição que permite, assim, que cada um faça o que quer, com ou sem necessidade de suborno ou tráfico de influências.
O “Público” escreve o que já escrevi, há uns anos, no “Jornal de Leiria”, num dos trabalhos que mais gozo me deu fazer: uma das ‘culpas’ é das barragens: o défice anual de deposição de inertes no mar é fantástico!
No que ao litoral da região de Leiria diz respeito, a culpa (sem aspas) é também da megalomania da Figueira da Foz e Coimbra, que quiseram transformar o portozinho da Figueira num portozão. Vai daí, toca de prolongar os pontões da foz do Mondego e de aprofundar o leito, chegando-se ao cúmulo de exportar areia para Espanha. É bom dizer que para este desastre que se anuncia também contribuiu o facto de a administração do porto arrecadar o dinheiro da venda da areia.
Por tudo isto, percebe-se a dificuldade de intervir: são muitos interesses, muito poderosos… Só com grande força e coragem políticas será possível.
Porque é preciso mexer com a máquina do Estado, acabando com as quintinhas e dando o poder a uma única entidade. Porque é preciso demolir tudo o que é ilegal, afrontando pequenos, médios e grandes interesses.
Mas são precisas força e coragem políticas para ir ainda mais longe: porque é preciso ‘entrar’ pela propriedade privada e deitar abaixo aquilo que esteja directamente ameaçado e seja mais caro proteger que demolir. Sem hesitações!
Se eu, e todos nós, vamos ter que pagar para proteger o litoral, então que paguemos para proteger o que é de fruição comum e não os egoísmos de uns quantos, que nos anos recentes souberam jogar com as indefinições legais.
Depois, então, será preciso proteger o que só foi colocado em risco por erros a montante.
sexta-feira, março 11, 2005
Lembrando José Régio
Não sei por que me lembrei disto...
Ou talvez lembre e não queira dizer...
De qualquer forma, gosto muito e creio que fica aqui bem.
CÂNTICO NEGRO
"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.
José Régio
Não sei por que me lembrei disto...
Ou talvez lembre e não queira dizer...
De qualquer forma, gosto muito e creio que fica aqui bem.
CÂNTICO NEGRO
"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.
José Régio
11-M
Passa hoje um ano sobre o maior (ou um dos maiores) ataque terrorista na Europa. Quase 200 mortos em Madrid, mais de 1500 feridos, um trauma que não se apagará tão cedo.
Por isso, nos últimos dias quase não se ouve falar de (nem se lê sobre) outra coisa e, hoje mesmo, há um imenso desfilar de personalidades na capital espanhola.
Mas há um outro 11-M que inexplicavelmente passa (quase) despercebido. Hoje, cumprem-se 30 anos sobre o 11 de Março português, uma intentona (ainda mal explicada) que abriu caminho à quase total colectivização da economia portuguesa. E sobre isso, e as suas consequências até à actualidade, nada se ouve, nada se vê, nada se lê...
Admito que seja ainda cedo para se conhecer a verdadeira história do 11 de Março de 1975, sobre o ataque ao RALIS, sobre a 'reacção' do Conselho da Revolução: recorde-se, a nacionalização da banca e dos seguros, dos cimentos e de imensas outras pequenas, médias e grandes empresas.
A 'história' vai dizendo que foi uma intentona da extrema-direita, envolvendo Spínola... Provavelmente foi. Mas era bom que soubéssemos toda a verdade, que fosse possível perceber como a extrema-esquerda reagiu tão pronta e radicalmente. As nacionalizações, o 'pacto MFA-partidos' que condicionou a Constituição...
Hoje, eu gostava de saber por que razão (ou razões) ninguém fala disto...
Passa hoje um ano sobre o maior (ou um dos maiores) ataque terrorista na Europa. Quase 200 mortos em Madrid, mais de 1500 feridos, um trauma que não se apagará tão cedo.
Por isso, nos últimos dias quase não se ouve falar de (nem se lê sobre) outra coisa e, hoje mesmo, há um imenso desfilar de personalidades na capital espanhola.
Mas há um outro 11-M que inexplicavelmente passa (quase) despercebido. Hoje, cumprem-se 30 anos sobre o 11 de Março português, uma intentona (ainda mal explicada) que abriu caminho à quase total colectivização da economia portuguesa. E sobre isso, e as suas consequências até à actualidade, nada se ouve, nada se vê, nada se lê...
Admito que seja ainda cedo para se conhecer a verdadeira história do 11 de Março de 1975, sobre o ataque ao RALIS, sobre a 'reacção' do Conselho da Revolução: recorde-se, a nacionalização da banca e dos seguros, dos cimentos e de imensas outras pequenas, médias e grandes empresas.
A 'história' vai dizendo que foi uma intentona da extrema-direita, envolvendo Spínola... Provavelmente foi. Mas era bom que soubéssemos toda a verdade, que fosse possível perceber como a extrema-esquerda reagiu tão pronta e radicalmente. As nacionalizações, o 'pacto MFA-partidos' que condicionou a Constituição...
Hoje, eu gostava de saber por que razão (ou razões) ninguém fala disto...
quarta-feira, março 09, 2005
O melhor sobre Mourinho
Não faz muito o meu género encher este sítio com citações de outros blogs, mesmo que aqui venha com tão grande irregularidade (citar outros sempre enchia esta coisa...), mas hoje li uma coisa sublime.
Ora leiam, com origem no 'Bola na rede': Arsène Wenger, Alex Ferguson e José Mourinho morrem num acidente de avião e vão conhecer o Criador. O Deus supremo vira-se para o Wenger e pergunta-lhe qual a coisa mais importante para ele na vida. Wenger responde, dizendo que a Terra é a coisa mais importante e que proteger o sistema ecológico do planeta é importantíssimo.
Deus olha para o Wenger e diz: “Gosto da maneira como pensas, anda e senta-te aqui ao meu lado esquerdo”
Depois, Deus volta-se para Ferguson e pergunta-lhe qual a coisa que ele mais respeita na vida. Ferguson diz que são as pessoas e as suas escolhas pessoais. Deus acena com a cabeça e diz: “Gosto da maneira como pensas, anda e senta-te aqui ao meu lado direito”.
Finalmente, Deus vira-se para Mourinho, que estava a olhar para Ele com um ar muito indignado. E Deus perguntou-lhe: “Qual é o teu problema Mourinho?”. Mourinho responde-lhe: “Eu acho que Estás sentado na minha cadeira.”
Para ler no original, ir por aqui
Não faz muito o meu género encher este sítio com citações de outros blogs, mesmo que aqui venha com tão grande irregularidade (citar outros sempre enchia esta coisa...), mas hoje li uma coisa sublime.
Ora leiam, com origem no 'Bola na rede': Arsène Wenger, Alex Ferguson e José Mourinho morrem num acidente de avião e vão conhecer o Criador. O Deus supremo vira-se para o Wenger e pergunta-lhe qual a coisa mais importante para ele na vida. Wenger responde, dizendo que a Terra é a coisa mais importante e que proteger o sistema ecológico do planeta é importantíssimo.
Deus olha para o Wenger e diz: “Gosto da maneira como pensas, anda e senta-te aqui ao meu lado esquerdo”
Depois, Deus volta-se para Ferguson e pergunta-lhe qual a coisa que ele mais respeita na vida. Ferguson diz que são as pessoas e as suas escolhas pessoais. Deus acena com a cabeça e diz: “Gosto da maneira como pensas, anda e senta-te aqui ao meu lado direito”.
Finalmente, Deus vira-se para Mourinho, que estava a olhar para Ele com um ar muito indignado. E Deus perguntou-lhe: “Qual é o teu problema Mourinho?”. Mourinho responde-lhe: “Eu acho que Estás sentado na minha cadeira.”
Para ler no original, ir por aqui
terça-feira, março 08, 2005
A gaja nua e o ditador vestido
Ando já há uns dias para vir aqui comentar a grande aquisição socrática para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas faltou-me a inspiração e (também) a paciência para me voltar a referir ao cromo objecto deste post.
Mais tarde, a 'polémica' do retrato provocou-me um sorriso e uma ténue vontade de comentar. Mas já li tanta coisa que desisti...
Até hoje, quando via "O Castelo" (de Ourém), descobri a Elvira André, oureense residente em França e 'dona' do "Tabacaria", um blog português escrito em francês.
Pois a Elvira escreveu este mimo. Por mim, e apesar dos anos e das rugas, preferia o retrato da Cinha, mas Paulo Portas & Cª lá sabem...
Ando já há uns dias para vir aqui comentar a grande aquisição socrática para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas faltou-me a inspiração e (também) a paciência para me voltar a referir ao cromo objecto deste post.
Mais tarde, a 'polémica' do retrato provocou-me um sorriso e uma ténue vontade de comentar. Mas já li tanta coisa que desisti...
Até hoje, quando via "O Castelo" (de Ourém), descobri a Elvira André, oureense residente em França e 'dona' do "Tabacaria", um blog português escrito em francês.
Pois a Elvira escreveu este mimo. Por mim, e apesar dos anos e das rugas, preferia o retrato da Cinha, mas Paulo Portas & Cª lá sabem...
terça-feira, março 01, 2005
Os tolos da minha cidade
Aqui há uns meses – talvez já mais de um ano – um grupo de ‘espertos’ da minha cidade movimentou-se contra a intenção camarária de construir um túnel no centro da urbe.
O projecto tinha em vista facilitar a comunicação apeada entre a zona mais antiga – o ‘centro histórico’ – com o jardim e o rio, permitindo, ao mesmo tempo, que o trânsito automóvel numa das principais artérias não fosse muito prejudicado.
Quando esta ideia foi discutida pela primeira vez na Câmara – alguns anos antes – a única dúvida levantada tinha a ver com o ângulo da curva que o dito cujo túnel deveria fazer... Nessa ocasião, nem uma voz da dita ‘sociedade civil’ se levantou, contra ou a favor.
Passou o tempo e, então, um conjunto de ‘iluminados’ descobriu os malefícios do supracitado túnel. Que não havia necessidade, que era uma obra megalómana, que ia ser construído em leito de cheia, que, que... E a Câmara, ‘obediente’, lá abandonou a ideia, mantendo – com a concordância daquele grupo – a ideia de abolir o trânsito na também já referida rua. O que significa, estava bem claro, a divisão da cidade em duas, isolando precisamente a área mais deprimida: precisamente o ‘centro histórico’.
Entre o grupo de ‘espertos’ contavam-se intelectuais bem falantes, arquitectos, engenheiros, políticos (até da maioria PSD) e o presidente da associação comercial.
Entretanto foram-se passando os meses e começa-se agora a perspectivar o corte do trânsito, desviando-o para uma artéria que, em boa verdade, nem com obras vai aguentar o trânsito que agora atravessa o centro do centro da cidade.
Neste interim, aconteceram também eleições na associação comercial. Curiosamente, também antecipadas, porque o presidente de serviço caiu em desgraça, provavelmente porque quis ser engraçado...
E agora... pasmem!... os novos dirigentes dos comerciantes prometem forte contestação ao corte do trânsito! Exigindo, naturalmente, que se deixe ficar tudo como está. Ou melhor, como estava antes das obras – que decorrem – de construção de um parque subterrâneo de estacionamento.
Argumentam eles – e com alguma razão, digo eu – que o corte do trânsito vai matar o que resta das actividades no centro histórico. À crise que se vive, suceder-se-á, inexoravelmente, a desertificação total.
Pois é! Os comerciantes têm razão. Agora.
Mas não tinham pensado nisto quando o seu presidente andou a lutar contra o túnel e a propor o desvio do tráfego para longe? Não repararam? Não pensam? Por que não se manifestaram, em devido tempo, contra a ‘ideia’ do seu presidente?
Pois... E míope sou eu...
Aqui há uns meses – talvez já mais de um ano – um grupo de ‘espertos’ da minha cidade movimentou-se contra a intenção camarária de construir um túnel no centro da urbe.
O projecto tinha em vista facilitar a comunicação apeada entre a zona mais antiga – o ‘centro histórico’ – com o jardim e o rio, permitindo, ao mesmo tempo, que o trânsito automóvel numa das principais artérias não fosse muito prejudicado.
Quando esta ideia foi discutida pela primeira vez na Câmara – alguns anos antes – a única dúvida levantada tinha a ver com o ângulo da curva que o dito cujo túnel deveria fazer... Nessa ocasião, nem uma voz da dita ‘sociedade civil’ se levantou, contra ou a favor.
Passou o tempo e, então, um conjunto de ‘iluminados’ descobriu os malefícios do supracitado túnel. Que não havia necessidade, que era uma obra megalómana, que ia ser construído em leito de cheia, que, que... E a Câmara, ‘obediente’, lá abandonou a ideia, mantendo – com a concordância daquele grupo – a ideia de abolir o trânsito na também já referida rua. O que significa, estava bem claro, a divisão da cidade em duas, isolando precisamente a área mais deprimida: precisamente o ‘centro histórico’.
Entre o grupo de ‘espertos’ contavam-se intelectuais bem falantes, arquitectos, engenheiros, políticos (até da maioria PSD) e o presidente da associação comercial.
Entretanto foram-se passando os meses e começa-se agora a perspectivar o corte do trânsito, desviando-o para uma artéria que, em boa verdade, nem com obras vai aguentar o trânsito que agora atravessa o centro do centro da cidade.
Neste interim, aconteceram também eleições na associação comercial. Curiosamente, também antecipadas, porque o presidente de serviço caiu em desgraça, provavelmente porque quis ser engraçado...
E agora... pasmem!... os novos dirigentes dos comerciantes prometem forte contestação ao corte do trânsito! Exigindo, naturalmente, que se deixe ficar tudo como está. Ou melhor, como estava antes das obras – que decorrem – de construção de um parque subterrâneo de estacionamento.
Argumentam eles – e com alguma razão, digo eu – que o corte do trânsito vai matar o que resta das actividades no centro histórico. À crise que se vive, suceder-se-á, inexoravelmente, a desertificação total.
Pois é! Os comerciantes têm razão. Agora.
Mas não tinham pensado nisto quando o seu presidente andou a lutar contra o túnel e a propor o desvio do tráfego para longe? Não repararam? Não pensam? Por que não se manifestaram, em devido tempo, contra a ‘ideia’ do seu presidente?
Pois... E míope sou eu...
quinta-feira, janeiro 27, 2005
Auschwitz - ensaio para uma explicação
Lido na "Rua da Judiaria":
“Primeiro vieram prender os comunistas, e eu não levantei a minha voz porque não era comunista. Depois vieram prender os sindicalistas e os socialistas, e eu não levantei a minha voz porque não era nem uma coisa nem outra. Depois vieram prender os judeus, e eu não levantei a minha voz porque não era judeu. Depois vieram prender-me e já não restava ninguém para levantar a voz por mim.”
Martin Niemöller, pastor luterano alemão, preso a 1 de Julho de 1937 pelos nazis e enviado para os campos de concentração de Sachsenhausen e Dachau
Lido na "Rua da Judiaria":
“Primeiro vieram prender os comunistas, e eu não levantei a minha voz porque não era comunista. Depois vieram prender os sindicalistas e os socialistas, e eu não levantei a minha voz porque não era nem uma coisa nem outra. Depois vieram prender os judeus, e eu não levantei a minha voz porque não era judeu. Depois vieram prender-me e já não restava ninguém para levantar a voz por mim.”
Martin Niemöller, pastor luterano alemão, preso a 1 de Julho de 1937 pelos nazis e enviado para os campos de concentração de Sachsenhausen e Dachau
Idiota útil
Uma ‘definição’, para começar. Os termos ‘idiota’ ou ‘idiotas’ a partir daqui usados são-no na acepção popular (de parvo e afins) e não na definição etimológica de ‘pessoa (ou pessoas) com ideias’.
Ouvi, e já li, sem espanto, que Freitas do Amaral anuncia que vai votar PS no próximo dia 20 de Fevereiro. O fundador do CDS, que se definiu então como "rigorosamente ao centro", um dos pais do segundo governo de Mário Soares, o homem que regressou à liderança do partido para o ajudar a conduzir à quase ínfima espécie, o homem que polarizou a direita contra a esquerda e foi derrotado por Mário Soares, é agora apoiante do PS de Sócrates.
O senhor professor doutor confirma assim um caminho que se adivinhava há muito e que teve um dos episódios mais visíveis na sua grandiosa peça de teatro em que tentou demarcar-se do regime anterior ao 25 de Abril de 1974.
O senhor professor doutor nunca foi homem da minha simpatia. Nunca gostei do seu ar meio beato meio farisaico, não me esqueço do seu papel no fim da AD, quando transformou uma pequena vitória eleitoral numa enorme derrota.
Não me esqueço dos contornos da campanha eleitoral presidencial do senhor professor doutor, de quem se colocou ao lado dele, de quem o apoiou, dos interesses que ele representava. Não me esqueço e cada vez mais gosto de me lembrar da sua derrota – dele e dos seus apoiantes.
O senhor professor doutor de há muito dá sinais de ser ter passado. Principalmente a partir do momento em que Mário Soares o meteu no bolso, fazendo dele presidente de uma inutilidade – a Assembleia Geral da ONU. Sua excelência julgou-se o maior do mundo e, a partir daí, transfigurou-se. Uns meses de luxo em Nova Iorque deram-lhe a volta à cabeça.
O senhor professor doutor, que nunca passou de um político mediano feito (ou tolerado) por Adelino Amaro da Costa, opina sobre tudo e sobre nada, cortou oportunisticamente com a sua família política – provavelmente até cortou duas vezes, a primeira das quais assim que acordou no dia 25 de Abril de 1974... –, colando-se ao sítio de onde pensa que lhe virão maiores vantagens.
É o perfeito idiota útil. Versão século XXI dos "compagnons de route" do ‘anti-fascismo’ comunista.
Tal como sempre desconfiei o senhor não presta para nada. Minto! Presta para isto...
Adenda: Depois de um curto raid sobre alguns blogs, e de reler o que escrevi, vejo-me obrigado a declarar, solenemente, que nunca jamais em tempo algum votei no perfeito idiota. O que escrevi foi motivado apenas pelo nojo que a personagem me provoca.
Uma ‘definição’, para começar. Os termos ‘idiota’ ou ‘idiotas’ a partir daqui usados são-no na acepção popular (de parvo e afins) e não na definição etimológica de ‘pessoa (ou pessoas) com ideias’.
Ouvi, e já li, sem espanto, que Freitas do Amaral anuncia que vai votar PS no próximo dia 20 de Fevereiro. O fundador do CDS, que se definiu então como "rigorosamente ao centro", um dos pais do segundo governo de Mário Soares, o homem que regressou à liderança do partido para o ajudar a conduzir à quase ínfima espécie, o homem que polarizou a direita contra a esquerda e foi derrotado por Mário Soares, é agora apoiante do PS de Sócrates.
O senhor professor doutor confirma assim um caminho que se adivinhava há muito e que teve um dos episódios mais visíveis na sua grandiosa peça de teatro em que tentou demarcar-se do regime anterior ao 25 de Abril de 1974.
O senhor professor doutor nunca foi homem da minha simpatia. Nunca gostei do seu ar meio beato meio farisaico, não me esqueço do seu papel no fim da AD, quando transformou uma pequena vitória eleitoral numa enorme derrota.
Não me esqueço dos contornos da campanha eleitoral presidencial do senhor professor doutor, de quem se colocou ao lado dele, de quem o apoiou, dos interesses que ele representava. Não me esqueço e cada vez mais gosto de me lembrar da sua derrota – dele e dos seus apoiantes.
O senhor professor doutor de há muito dá sinais de ser ter passado. Principalmente a partir do momento em que Mário Soares o meteu no bolso, fazendo dele presidente de uma inutilidade – a Assembleia Geral da ONU. Sua excelência julgou-se o maior do mundo e, a partir daí, transfigurou-se. Uns meses de luxo em Nova Iorque deram-lhe a volta à cabeça.
O senhor professor doutor, que nunca passou de um político mediano feito (ou tolerado) por Adelino Amaro da Costa, opina sobre tudo e sobre nada, cortou oportunisticamente com a sua família política – provavelmente até cortou duas vezes, a primeira das quais assim que acordou no dia 25 de Abril de 1974... –, colando-se ao sítio de onde pensa que lhe virão maiores vantagens.
É o perfeito idiota útil. Versão século XXI dos "compagnons de route" do ‘anti-fascismo’ comunista.
Tal como sempre desconfiei o senhor não presta para nada. Minto! Presta para isto...
Adenda: Depois de um curto raid sobre alguns blogs, e de reler o que escrevi, vejo-me obrigado a declarar, solenemente, que nunca jamais em tempo algum votei no perfeito idiota. O que escrevi foi motivado apenas pelo nojo que a personagem me provoca.
Auschwitz – eu estive lá
Passam hoje 60 anos sobre a libertação do campo da morte de Auschwitz-Birkenau pelas tropas russas. Auschwitz foi o principal campo de extermínio do regime nazi: em boa verdade, o complexo de Auschwitz eram três campos, o principal dos quais precisamente Birkenau.
Eu estive lá. Não me recordo precisamente do ano – sei que foi nos princípios dos anos 90 –, mas as impressões... essas estão cá todas. Quando lá cheguei, julguei que sabia o que ia encontrar. A segunda Guerra Mundial é um dos factos da História que mais me atrai e tenho lido quase tudo o que apanho sobre isso: seja de um lado ou do outro.
A primeira coisa de que me lembro é o ‘contexto’: uma visita de oito dias à Polónia, prémio alcançado num concurso de fotografia. Tal visita, oferta de uma agência de viagens, não era, afinal, mais que uma peregrinação católica aos principais locais de culto polacos, com destaque para Czestochowa – santuário mariano curiosa, e supostamente, visitado por Hitler, Himmler e companhia. A minha ‘companhia’, portanto, estava mais interessada nos locais de culto do que em campos de extermínio e se se interessou pela visita isso teve mais a ver com o martírio do padre Maximiliano Kolbe – uma das primeiras vítimas, do que pelo que Auschwitz significa de barbárie generalizada e perseguição a raças (fala-se muito dos judeus, mas esquecem-se os ciganos) ou convicções sociais e políticas.
Escrevia, ali em cima, que julgava saber o que ia encontrar. Não sabia...
"Arbeit macht frei"... "O trabalho liberta", numa tradução mais ou menos simplista... Este toque de hipocrisia, digamos assim, que nos recebe a encimar o portão é, digamos, o mínimo. O primeiro choque chega da direita, onde se reproduz, em fotografia, a orquestra de boas vindas aos novos ‘habitantes’.
Daí para a frente, o crescente de horror não pára até aos fornos crematórios. Os blocos de armazenagem de pessoas – ou dos seus restos vivos -, a ilustração do tratamento dado aos bens de quem chegava, aqui incluindo os próprios cabelos, a parede de fusilamentos, as celas de morte, os ‘balneários’ que atravessamos...
Não... ninguém está preparado!
Desconheço em que medida o percurso da visita foi estudado, mas acredito que está tudo previsto para que o horror seja crescente. Crescente até ao ponto de descompressão total. Pelo menos foi isso que aconteceu comigo: é indescritível a sensação de alívio que senti quando, mesmo no final da visita, paramos junto à forca onde morreu o último comandante do campo. Afinal, alguém pagou!
Birkenau, propriamente dito, pouco mais é que uma construção comprida cortada por um portão – precisamente o acesso ferroviário. Muito mais fotografado e divulgado do que Auschwitz propriamente dito, de Birkenau resta muito menos pois quase tudo era de madeira e não foi conservado.
O complexo de Auschwitz devia ser de visita obrigatória... para que se conheça até onde pode ir a barbárie. E para que as teorias ‘revisionistas’ não tivessem campo de propagação, como se vai vendo nos dias que correm. E, já agora, para que o conhecimento do que ali aconteceu servisse como forma de pressão para se saber se, efectivamente, os ‘aliados’ sabiam e podiam ter feito mais alguma coisa.
Em tempo: Há uma incorrecção ali em cima que é importante corrigir. A forca a que me refiro não é a do último comandante do campo, mas do primeiro. Rudolph Höss, de seu nome, executado em 1947.
Passam hoje 60 anos sobre a libertação do campo da morte de Auschwitz-Birkenau pelas tropas russas. Auschwitz foi o principal campo de extermínio do regime nazi: em boa verdade, o complexo de Auschwitz eram três campos, o principal dos quais precisamente Birkenau.
Eu estive lá. Não me recordo precisamente do ano – sei que foi nos princípios dos anos 90 –, mas as impressões... essas estão cá todas. Quando lá cheguei, julguei que sabia o que ia encontrar. A segunda Guerra Mundial é um dos factos da História que mais me atrai e tenho lido quase tudo o que apanho sobre isso: seja de um lado ou do outro.
A primeira coisa de que me lembro é o ‘contexto’: uma visita de oito dias à Polónia, prémio alcançado num concurso de fotografia. Tal visita, oferta de uma agência de viagens, não era, afinal, mais que uma peregrinação católica aos principais locais de culto polacos, com destaque para Czestochowa – santuário mariano curiosa, e supostamente, visitado por Hitler, Himmler e companhia. A minha ‘companhia’, portanto, estava mais interessada nos locais de culto do que em campos de extermínio e se se interessou pela visita isso teve mais a ver com o martírio do padre Maximiliano Kolbe – uma das primeiras vítimas, do que pelo que Auschwitz significa de barbárie generalizada e perseguição a raças (fala-se muito dos judeus, mas esquecem-se os ciganos) ou convicções sociais e políticas.
Escrevia, ali em cima, que julgava saber o que ia encontrar. Não sabia...
"Arbeit macht frei"... "O trabalho liberta", numa tradução mais ou menos simplista... Este toque de hipocrisia, digamos assim, que nos recebe a encimar o portão é, digamos, o mínimo. O primeiro choque chega da direita, onde se reproduz, em fotografia, a orquestra de boas vindas aos novos ‘habitantes’.
Daí para a frente, o crescente de horror não pára até aos fornos crematórios. Os blocos de armazenagem de pessoas – ou dos seus restos vivos -, a ilustração do tratamento dado aos bens de quem chegava, aqui incluindo os próprios cabelos, a parede de fusilamentos, as celas de morte, os ‘balneários’ que atravessamos...
Não... ninguém está preparado!
Desconheço em que medida o percurso da visita foi estudado, mas acredito que está tudo previsto para que o horror seja crescente. Crescente até ao ponto de descompressão total. Pelo menos foi isso que aconteceu comigo: é indescritível a sensação de alívio que senti quando, mesmo no final da visita, paramos junto à forca onde morreu o último comandante do campo. Afinal, alguém pagou!
Birkenau, propriamente dito, pouco mais é que uma construção comprida cortada por um portão – precisamente o acesso ferroviário. Muito mais fotografado e divulgado do que Auschwitz propriamente dito, de Birkenau resta muito menos pois quase tudo era de madeira e não foi conservado.
O complexo de Auschwitz devia ser de visita obrigatória... para que se conheça até onde pode ir a barbárie. E para que as teorias ‘revisionistas’ não tivessem campo de propagação, como se vai vendo nos dias que correm. E, já agora, para que o conhecimento do que ali aconteceu servisse como forma de pressão para se saber se, efectivamente, os ‘aliados’ sabiam e podiam ter feito mais alguma coisa.
Em tempo: Há uma incorrecção ali em cima que é importante corrigir. A forca a que me refiro não é a do último comandante do campo, mas do primeiro. Rudolph Höss, de seu nome, executado em 1947.
quinta-feira, novembro 11, 2004
Que raio de governo é este?
Isto está cada vez mais negro. Negro mesmo. Tão negro que até interrompo o silêncio de meses para desabafar.
Esta conjunto de pessoas que nos governa não tem ponta por onde se pegue. Olhando à volta, só se vêem disparates, protecção dos maiores, pé em cima dos pequenos.
Sobre as interferências na comunicação social já se escreveu o suficiente... Sobre o gajo das Finanças, fica aí atrás...
São tantas e tantas, que não é possível batê-las todas. Uma das últimas tem a ver com o encerramento de um número não especificado de maternidades, evidentemente no interior. Diz o tipo que ‘faz de’ ministro ser impossível manter equipas que não façam xis partos por ano: que perdem ‘qualificações’, blá, blá.
Então, obrigam-se as grávidas a fazer não sei quantos quilómetros (sim, bem sei que agora a distância se mede em unidades de tempo, mas no interior as coisas não são bem assim), porque serão melhor assistidas.
Tá-se a ver a coisa...
Para já, vão aumentar os nascimentos a bordo de ambulâncias. Depois, imagine-se o que esta medida vai ajudar a estancar a desertificação e a incentivar a ‘deslocalização’ de pessoas para aquelas zonas!
Começaram por fechar as escolas. Agora são as maternidades... O futuro é brilhante! Como as mentes que parem estas políticas...
Isto está cada vez mais negro. Negro mesmo. Tão negro que até interrompo o silêncio de meses para desabafar.
Esta conjunto de pessoas que nos governa não tem ponta por onde se pegue. Olhando à volta, só se vêem disparates, protecção dos maiores, pé em cima dos pequenos.
Sobre as interferências na comunicação social já se escreveu o suficiente... Sobre o gajo das Finanças, fica aí atrás...
São tantas e tantas, que não é possível batê-las todas. Uma das últimas tem a ver com o encerramento de um número não especificado de maternidades, evidentemente no interior. Diz o tipo que ‘faz de’ ministro ser impossível manter equipas que não façam xis partos por ano: que perdem ‘qualificações’, blá, blá.
Então, obrigam-se as grávidas a fazer não sei quantos quilómetros (sim, bem sei que agora a distância se mede em unidades de tempo, mas no interior as coisas não são bem assim), porque serão melhor assistidas.
Tá-se a ver a coisa...
Para já, vão aumentar os nascimentos a bordo de ambulâncias. Depois, imagine-se o que esta medida vai ajudar a estancar a desertificação e a incentivar a ‘deslocalização’ de pessoas para aquelas zonas!
Começaram por fechar as escolas. Agora são as maternidades... O futuro é brilhante! Como as mentes que parem estas políticas...
Sua eminência o fariseu
O ministro das Finanças que temos que aturar voltou a fazer das suas.
Numa intervenção que creio ninguém ter percebido na plenitude – o que, além do mais, seria um risco porque naturalmente será desmentida nas próximas horas – veio ‘corrigir’ algumas ideias feitas sobre a descida do IRS.
Afinal (?!), os respectivos efeitos não se fazem sentir no próximo ano, mas sim (?!) faseadamente em 2005 e 2006.
Para lá de todos os ziguezagues deste governo e dos constantes desmentidos, confirmações e infirmações, há algo na actuação deste fariseu com cara de rato de sacristia que me provoca asco. ‘Sua excelência’ aparece sempre com um ar seráfico, como se estivesse permanentemente torturado pela consciência quando se vê forçado a tomar certas decisões.
É insuportável, a criatura! Típica figura do ‘católico’ português, que é muito da igreja, onde deve bater imenso com a mão no peito, ‘papar’ umas hóstias e falar imenso com os padres...
Cá fora, então, revela-se na plenitude. Lembram-se do ‘código do trabalho’ e de outros ‘assaltos’ aos trabalhadores? Lembram-se quem arranjou emprego à Celeste Cardona (como e quanto)?
E lembram-se da entidade bancária com que está a ser negociada uma coisa qualquer que vai deixar lucros importantes? Pois, exactamente, precisamente com o seu ex-patrão...
O ministro das Finanças que temos que aturar voltou a fazer das suas.
Numa intervenção que creio ninguém ter percebido na plenitude – o que, além do mais, seria um risco porque naturalmente será desmentida nas próximas horas – veio ‘corrigir’ algumas ideias feitas sobre a descida do IRS.
Afinal (?!), os respectivos efeitos não se fazem sentir no próximo ano, mas sim (?!) faseadamente em 2005 e 2006.
Para lá de todos os ziguezagues deste governo e dos constantes desmentidos, confirmações e infirmações, há algo na actuação deste fariseu com cara de rato de sacristia que me provoca asco. ‘Sua excelência’ aparece sempre com um ar seráfico, como se estivesse permanentemente torturado pela consciência quando se vê forçado a tomar certas decisões.
É insuportável, a criatura! Típica figura do ‘católico’ português, que é muito da igreja, onde deve bater imenso com a mão no peito, ‘papar’ umas hóstias e falar imenso com os padres...
Cá fora, então, revela-se na plenitude. Lembram-se do ‘código do trabalho’ e de outros ‘assaltos’ aos trabalhadores? Lembram-se quem arranjou emprego à Celeste Cardona (como e quanto)?
E lembram-se da entidade bancária com que está a ser negociada uma coisa qualquer que vai deixar lucros importantes? Pois, exactamente, precisamente com o seu ex-patrão...
quinta-feira, julho 29, 2004
Que raio de nome!
O Benfica (que já tem o campeonato "no papo", como de costume) parece que comprou hoje mais um avançado. Vem daquela grande potência do futebol chamada Noruega e responde como Azar Karadas.
Está-se mesmo a ver como a malta o vai chamar, nem que seja depois do Benfica não ganhar e o rapaz falhar golos... basta acrescentar um 'r': Azar às Karradas.
O Benfica (que já tem o campeonato "no papo", como de costume) parece que comprou hoje mais um avançado. Vem daquela grande potência do futebol chamada Noruega e responde como Azar Karadas.
Está-se mesmo a ver como a malta o vai chamar, nem que seja depois do Benfica não ganhar e o rapaz falhar golos... basta acrescentar um 'r': Azar às Karradas.
Política à brasileira
O presidente do Brasil, Lula da Silva, está de visita a Cabo Verde (desconfio que tentando ocupar mais um bocadinho do espaço que Portugal devia procurar...) e fez um discurso no Parlamento lá do sítio.
A acreditar nas agências noticiosas, Sª Exª defendeu a "democratização" do Conselho de Segurança das Nações Unidas e, ao mesmo tempo, agradeceu o apoio de Cabo verde à candidatura do Brasil a um lugar de membro permanente do tal Conselho de Segurança.
Estão a ver a mesma "democratização" que eu?
O presidente do Brasil, Lula da Silva, está de visita a Cabo Verde (desconfio que tentando ocupar mais um bocadinho do espaço que Portugal devia procurar...) e fez um discurso no Parlamento lá do sítio.
A acreditar nas agências noticiosas, Sª Exª defendeu a "democratização" do Conselho de Segurança das Nações Unidas e, ao mesmo tempo, agradeceu o apoio de Cabo verde à candidatura do Brasil a um lugar de membro permanente do tal Conselho de Segurança.
Estão a ver a mesma "democratização" que eu?
quarta-feira, julho 28, 2004
Que felicidade!
Não estou gordo, não tenho barriga e não morrerei de enfarto de miocárdio ou qualquer outro mal de origem cardiovascular... Estou transformado!
Para que isto acontecesse - e me sentisse muito mais feliz - bastaram-me alguns segundos dos poucos minutos que dediquei à leitura da revista "Focus" de hoje.
Pois é verdade! Uma pequena notícia - "boa", escrevem eles - no canto superior direito da página 89 mostrou-me que, afinal, estou no bom caminho. Querem v(l)er? "Uma equipa de cientistas da University College de Londres descobriu que a cerveja previne a ocorrência de enfartes de miocárdio e que os consumidores regulares desta bebida alcoólica têm menos probabilidades de sofrer de doenças cardiovasculares do que os abstémios. O estudo britânico, apresentado em Lisboa, conclui também que a cerveja não engorda nem faz barriga".
Yupiiiiiiiiiii! Venham então de lá essas Super Bock, Sagres, Cintra, ou quaisquer outras. Vivam a Guiness e a Estella Damm, a Kronnenburg e a Heineken. De lata, de garrafa ou a copo, loira ou preta, mas sempre fresca e viva, com espuma qb!
E a quem me disser que estou um pouco gordo ou que tenho "barriga de cerveja", dir-lhe-ei que não é doença. É tratamento preventivo...
Não estou gordo, não tenho barriga e não morrerei de enfarto de miocárdio ou qualquer outro mal de origem cardiovascular... Estou transformado!
Para que isto acontecesse - e me sentisse muito mais feliz - bastaram-me alguns segundos dos poucos minutos que dediquei à leitura da revista "Focus" de hoje.
Pois é verdade! Uma pequena notícia - "boa", escrevem eles - no canto superior direito da página 89 mostrou-me que, afinal, estou no bom caminho. Querem v(l)er? "Uma equipa de cientistas da University College de Londres descobriu que a cerveja previne a ocorrência de enfartes de miocárdio e que os consumidores regulares desta bebida alcoólica têm menos probabilidades de sofrer de doenças cardiovasculares do que os abstémios. O estudo britânico, apresentado em Lisboa, conclui também que a cerveja não engorda nem faz barriga".
Yupiiiiiiiiiii! Venham então de lá essas Super Bock, Sagres, Cintra, ou quaisquer outras. Vivam a Guiness e a Estella Damm, a Kronnenburg e a Heineken. De lata, de garrafa ou a copo, loira ou preta, mas sempre fresca e viva, com espuma qb!
E a quem me disser que estou um pouco gordo ou que tenho "barriga de cerveja", dir-lhe-ei que não é doença. É tratamento preventivo...
segunda-feira, julho 26, 2004
Aniversário falhado
Sou um bloguista que nem de trazer por casa. Vejam lá, que só hoje reparei que o "Voo" nasceu há um mês e um dia!...
E nem um postzito... Não há direito. Espero que o blog não tenha o hábito de percorrer a blogosfera, porque de contrário excomunga-me.
Mil desculpas, "O voo do mocho", por ter esquecido que nasceste a 25 de Junho.
Sou um bloguista que nem de trazer por casa. Vejam lá, que só hoje reparei que o "Voo" nasceu há um mês e um dia!...
E nem um postzito... Não há direito. Espero que o blog não tenha o hábito de percorrer a blogosfera, porque de contrário excomunga-me.
Mil desculpas, "O voo do mocho", por ter esquecido que nasceste a 25 de Junho.
Voltou a guerra do costume
Pois... dois ou três dias de calor, e aí estão os fogos, de novo.
As imagens que acabei de ver são impressionantes, como são impressionantes os "sons": as cores do fogo são até (perigosamente) atraentes, mas as queixas e as lágrimas de quem perdeu tudo ou parte do património creio que impressionam qualquer um.
Mas há uma coisa que me continua a intrigar: ninguém, mas ninguém, faz referência à incúria das pessoas. Há uma lei - e que não houvesse... bastava o bom senso - que obriga a limpar a vegetação num "raio" de 50 metros à volta de habitações e outros edifícios, mas ninguém (ou quase ninguém) a cumpre...
Continuamos a falar de falta de meios, de atrasos na chegada dos bombeiros, se os membros do Governo estiveram ou não estiveram, mas da incúria da maioria nem uma palavra.
Até será verdade que os meios sejam poucos, que alguns bombeiros chegam tarde e/ou não sabem o que andam a fazer, mas verdade indesmentível é que, se não hovesse a tal vegetação, as casas e outros imóveis não ardiam.
Assim, com o tipo de povoamentos florestais que temos, com a dimensão da propriedade, com o clima e com incendiários "catedráticos", não há meios e homens que cheguem.
Pois... dois ou três dias de calor, e aí estão os fogos, de novo.
As imagens que acabei de ver são impressionantes, como são impressionantes os "sons": as cores do fogo são até (perigosamente) atraentes, mas as queixas e as lágrimas de quem perdeu tudo ou parte do património creio que impressionam qualquer um.
Mas há uma coisa que me continua a intrigar: ninguém, mas ninguém, faz referência à incúria das pessoas. Há uma lei - e que não houvesse... bastava o bom senso - que obriga a limpar a vegetação num "raio" de 50 metros à volta de habitações e outros edifícios, mas ninguém (ou quase ninguém) a cumpre...
Continuamos a falar de falta de meios, de atrasos na chegada dos bombeiros, se os membros do Governo estiveram ou não estiveram, mas da incúria da maioria nem uma palavra.
Até será verdade que os meios sejam poucos, que alguns bombeiros chegam tarde e/ou não sabem o que andam a fazer, mas verdade indesmentível é que, se não hovesse a tal vegetação, as casas e outros imóveis não ardiam.
Assim, com o tipo de povoamentos florestais que temos, com a dimensão da propriedade, com o clima e com incendiários "catedráticos", não há meios e homens que cheguem.
sexta-feira, julho 16, 2004
Que governo vem aí?
Já estou fora do prazo de validade para comentar a situação criada pela "promoção" do ex-primeiro Durão Barroso. Qual bola de neve, e quando alguns esfregavam as mãos de contentes pela bagunça que se abria à direita, eis que foi a parede da sede do PS que levou a bolada. Mas isso já lá vai e os socialistas já fazem fila para a profissão de fé socrática.
Do outro lado - o poder sempre temperou os psd's - vai-se assistindo ao desfile de nomes para os ministérios diversos. Depois do Santana Lopes - que por si só já não augura nada de bom -, veio o Bagão - que também é perfeitamente dispensável -, o António Monteiro, o António Mexia e o Álvaro Barreto - que, pessoalmente, também mantinha onde está e longe de S. Bento. Há poucos minutos ouvi (com citação à TSF) que o Ambiente vai ser entregue ao Nobre Guedes, rapaz certamente muito prendado mas que desconfio nem sequer saiba o que é um ecoponto...
A coisa não promete nada de particularmente atraente e as críticas e receios do Pacheco Pereira parecem-me certeiras e premonitórias.
Já estou fora do prazo de validade para comentar a situação criada pela "promoção" do ex-primeiro Durão Barroso. Qual bola de neve, e quando alguns esfregavam as mãos de contentes pela bagunça que se abria à direita, eis que foi a parede da sede do PS que levou a bolada. Mas isso já lá vai e os socialistas já fazem fila para a profissão de fé socrática.
Do outro lado - o poder sempre temperou os psd's - vai-se assistindo ao desfile de nomes para os ministérios diversos. Depois do Santana Lopes - que por si só já não augura nada de bom -, veio o Bagão - que também é perfeitamente dispensável -, o António Monteiro, o António Mexia e o Álvaro Barreto - que, pessoalmente, também mantinha onde está e longe de S. Bento. Há poucos minutos ouvi (com citação à TSF) que o Ambiente vai ser entregue ao Nobre Guedes, rapaz certamente muito prendado mas que desconfio nem sequer saiba o que é um ecoponto...
A coisa não promete nada de particularmente atraente e as críticas e receios do Pacheco Pereira parecem-me certeiras e premonitórias.
Diário de viagem
Aqui podem consultar as minhas notas de viagem das férias deste ano. Boa viagem também para vocês
Aqui podem consultar as minhas notas de viagem das férias deste ano. Boa viagem também para vocês
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