quinta-feira, julho 31, 2003

Sobre o Acontece
Quando a "coisa" veio a público não me apeteceu comentar, mas depois do que li, pensei que valia a pena deixar aqui a minha opinião.
Acho ridícula toda a choradeira em torno do fim do Acontece. Acredito, aliás, que boa parte dos choramingas nem sequer era consumidora daquele espaço televisivo. Choram por solidariedade e para dar um certo ar de esquerda, que fica sempre bem mesmo quando se vive à (extrema) direita.
Chamem-me o que quiserem, ponham-me o rótulo que quiserem... não me importo nem um bocadinho. Direi, até, que é para o lado que durmo melhor: detesto intelectualóides e acho que aquilo era uma treta. Rio-me, aliás, quando os mesmos que elogiam o espaço (e o seu autor) vêm para aqui postar sobre o umbiguismo e a troca de "fretes" entre amigos...
Resolvi-me a escrever o que atrás fica depois de ler "O Acontece acabou. So what, parte 2" no "Contra a corrente". Não conheço o autor, nem sequer o seu blog é de leitura habitual. Não vale a pena, por isso, "colarem-me" à sua posição ideológica, qualquer que ela seja...
Eis a chave!
Pois é... Precipitei-me para aqui, para debitar o que sobre fogos me ia na alma antes de acabar a leitura dos jornais. E fiz mal.
A resposta a muitas das questões levantadas abaixo ("Os fogos... de novo", "Sobre os incêndios" e "Os fogos e os bombeiros") está no "Jornal de Notícias" de hoje e só lá faltam os nomes, moradas e números de telefone de quem ganha com os fogos e de quem é culpado por o País arder tanto. De leitura obrigatória.
E porque o exemplar do jornal pode perder-se, ficam aqui alguns excertos, com a devida vénia ao jornal e aos jornalistas autores do texto:
(...) Pedro Lopes, vice-presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) com a pasta da Análise de Riscos, garante que foram mantidas todas as acções de prevenção desenvolvidas pela ex-CNEFF. Admite, ainda assim, que houve cortes nalgumas verbas. O mais notório foi para a vigilância móvel de florestas. Passou-se de uma cobertura de 24 horas diárias a um único turno, "pelas horas de maior calor".
(...) Emílio Vidigal não poupa críticas (violentas) ao facto de continuar a ser muito maior o investimento feito em combate a fogos do que em prevenção. "O sr. ministro tinha prometido reforçar a prevenção, mas, em Março, fomos confrontados com a cedência aos lóbis da indústria de combate a fogos", afirma.
Sublinhando que "os produtores estão muito agradecidos à abnegação dos bombeiros", o vice-presidente da FPFP [Federação dos Produtores Florestais de Portugal] argumenta que esse trabalho no terreno não deve ser confundido com a indústria que lhe está subjacente. Apontando a espectacularidade de meios humanos destacados para o incêndio do Fundão, afirma que esta "comove os produtores do ponto de vista humano, mas não prático": "Só servem para alimentar o folclore da indústria dos bombeiros".
Os fogos... de novo
A presidente da Câmara de Vila de Rei volta à carga contra o sistema de combate aos fogos.
Há cerca de uma semana, a senhora já tinha criticado fortemente o sistema, mas agora foi ainda mais violenta (aqui), apontando o dedo à forma como actuam os "aviões bombeiros". A acusação é forte e dá razão a quem questiona o "negócio do fogo" (já aqui citei o "Guerra e Pas" sobre o assunto).
Irene Barata (assim se chama a senhora) diz com todas as letras que os "aviões bombeiros" apagam fogos que não existem e deixam arder os que existem, como forma de aumentar as horas de voo... e os lucros.
A presidente da Câmara de Vila de Rei não está sozinha nas críticas. O seu colega de Oleiros, também sem papas na língua, acusa os bombeiros de negligência, por não terem accionado os meios aéreos para um fogo em zonas de acesso difícil (aqui). Será mesmo que nada funciona como deve ser?
Já agora, e ainda no registo de negócio, alguém me explica como é possível que deflagrem incêndios durante a noite?
Que é isto?
Um grupo de notáveis generais do nosso Exército vai reunir hoje (mais um jantar...) para saber por que se demitiu o mais recente Chefe do Estado Maior.
Aqui, diz-se que o jantar "tem como finalidade o esclarecimento, tanto quanto a Lei e o interesse nacional permitam (...) sobre as circunstancias que determinaram o seu pedido de exoneração de Chefe de Estado Maior do Exército".
Não gosto disto! Quem são aqueles senhores (para além de ex-qualquer coisa) para saberem mais que o comum cidadão?
Também não gostei que a Assembleia da República tenha sido impedida de ouvir as razões profundas da demissão, mas é no mínino perigosa esta manifestação de "espírito de casta".
"Silly season" ou algo (muito) mais grave se passa em Portugal? De um lado as escutas, do outro "isto"?...

quarta-feira, julho 30, 2003

Ganda voo!
O mocho chegou ao Porto! Fantástico! Belo! Extraordinário! A sério: confesso que faz cócegas ao ego ver o nome do blog noutro blog, para mais tão longínquo quanto desconhecido.
Obrigado Porto e não te sintas cercado...

terça-feira, julho 29, 2003

Suas excelências pensaram
Sª Exª o Presidente da República e mais um conjunto de proeminentes figuras da nossa Justiça pensaram! Foi ontem à noite, à volta de uma mesa no palácio cor de rosa.
Pensaram, pensaram, pensaram... e concluiram serem necessárias reformas na Justiça. É claro, sublinhou Sª Exª, que não esteve em causa qualquer processo em concreto. É claro que aquelas brilhantes cabeças pensantes se reuniram a propósito de "nada". Pensaram, simplesmente.
É claro que nem sequer a oportunidade em que se juntaram pode ter algo a ver com qualquer processo em concreto. Quando muito (e estarei a ser injusto...) terão resolvido juntar-se em função de algumas queixas de cidadãos anónimos, que se sentiram injustiçados pela Justiça.
Não pode, pois, ser mais que uma coincidência que Sªs Exªs tenham jantado com o barulho oriundo de alguns PS's e outros notáveis como fundo. Situações como as de Paulo Pedroso e Carlos Cruz, por exemplo, não foram minimamente influenciadoras do repasto e da reflexão.
Comentar a "actualidade pedófila" é perigoso, não só porque se deve presumir a inocência de todos os detidos, como porque aparentemente a Justiça vem assumindo posições largamente questionáveis (e questionadas).
Todavia, há uma pergunta que "salta": fossem outros os detidos (e há-os), fossem outros os escutados (e há-os, certamente), haveria tais e tantas reflexões?
Arrisco um NÃO! (assim, gritado e exclamado). Não haveria, como não houve no passado mais ou menos longínquo. Por isso, arrisco também escrever o que pode ser levado à conta de "heresia": ainda bem que alguns foram detidos, ainda bem que alguns foram (são) escutados!
Acordaram os políticos para eventuais alterações a uma legislação eventualmente injusta. No fim, todos poderemos ganhar.
O seu a seu dono
Já encontrei o blog onde li "aquilo" do negócio do fogo. Foi aqui.
As minhas desculpas pela omissão de ontem.

segunda-feira, julho 28, 2003

Sobre os incêndios
Ouvi há pouco numa televisão qualquer alguns populares a queixarem-se da acção (ou da falta dela...) dos bombeiros no incêndio do Fundão. Os homens estavam naturalmente desesperados por verem arder as suas riquezas, mas, francamente, custa-me pouco a acreditar que haja algo de verdade no que disseram.
De facto, parece impossível que não seja possível fazer (um pouco que seja) mais no combate aos incêndios florestais. Já nem me refiro a tudo o que seria possível fazer no que respeita ao ordenamento das matas, mas a uma efectiva prevenção. Lembro-me de, não há muitos anos, tudo quanto era comunicação social ter feito alguma "propaganda" de um invento nacional que permitiria antecipar os fogos, a partir de sensores colocados nas florestas e na análise das previsões meteorológicas.
Li, e não me lembro em que blog, uma interessante reflexão em torno do "negócio do fogo". Daquilo se pode dizer que se não for assim, é pelo menos bem provável: quantos ganham com os fogos?
Ganha quem os ateia, seja lá pelo que for que o faça.
Ganha quem os combate, pelo menos as empresas dos "meios aéreos".
Ganha quem altera o uso do solo depois dos incêndios.
E ganha muita gente que faz carros de bombeiros (e não serão [ou terão sido...] alguns desses empresários bombeiros?)
Neste "negócio" há muito a ganhar. E quem perde nem saberá por que perde...
Se o problema fosse encarado de outra maneira (e não apenas em cima da "época dos fogos"), Portugal escusaria de ser obrigado a pedir ajuda à Espanha...
Buraco negro
Não encontro outra definição melhor para o "caso Casa Pia". Como se não bastassem todas as confusões que enchem páginas e páginas de jornais em torno de uns quantos notáveis, agora é um dos principais "acusadores" que passa a acusado (ler, por exemplo, aqui).
Algures lá para trás, escrevi algo como: a Justiça não sairá bem deste filme, mesmo que alguns dos "notáveis" também não. Mas se se confirmar esta última notícia, creio chegarmos ao retrato perfeito do que é a nossa sociedade hoje em dia.

domingo, julho 27, 2003

Em tratamento
Este fim de semana estive em tratamento preventivo (e intensivo) da osteoporose...

sexta-feira, julho 25, 2003

Fantástico
É a primeira vez, e só o faço agora porque considero a frase fantástica.
Li no "Cerco do Porto" isto: “Um jornalista só é notícia quando morre, e tem de ser muito bom, ou quando mata, e tem de ser muito mau”.
Será a sério?
Li aqui que os camionistas estão preocupados com a segurança nas estradas e preparam uma manif/desfile para sábado nas imediações de Aveiro.
Os homens apontam defeitos de construção a muitas estradas para justificar, presumo, a elevada sinistralidade. E pedem mais investimento do Governo na segurança. Estou completamente de acordo.
O Governo podia, e devia, investir em mais patrulhas para a Brigada de Trânsito (especialmente não corruptos...). Podia ser que assim houvesse condições para verificar eficazmente a velocidade a que se deslocam os "monstros", podia ser que assim acabassem as corridas que fazem entre eles, as ultrapassagens tipo "chega para lá que eu sou maior", os excessos de carga, de tempo ao volante e de álcool.
Aposto que haveria menos acidentes.
Merda para o ministro
Não gosto de usar aqui linguagem mais "livre" mas, francamente, neste caso é uma forma de protesto.
A Quercus entregou (ou vai entregar) dois baús de esterco de porco ao ministro da Agricultura. É justo, mas é pouco: devia ser mais porcaria e devia ser para mais ministros (actuais e anteriores), de mais pastas, para alguns dirigentes intermédios da administração pública (por exemplo directores regionais da agricultura, ambiente e economia) e, até, alguns "dirigentes ambientalistas" - que se comportam como a comunicação social: só se lembram da poluição quando ela cheira mais mal.
De facto, alguém se lembra de algum trabalho continuado de denúncia, por exemplo durante o Inverno? Claro que não, mais que não seja porque durante o Inverno há mais água nos rios e ribeiros e, portanto, a porcaria estando lá não cheira.
Suiniculturas há-as um pouco por todo o País, mais aqui que ali, mas tão poluente acolá como acoli. "Desregulação" (será um eufemismo para irresponsabilidade), há, portanto, em todo o País. E culpas... principalmente culpas.
Das Câmaras que, se licenciam as construções, as licenciam para fins diferentes (nos anos 80 eram barracões para alfaias agrícolas...); dos serviços do Ministério da Agricultura, que não fiscalizam os efectivos nem onde eles se encontram; dos serviços do Ministério do Ambiente, que fazem que veêm mas não veêm, se veêm não actuam, se actuam não se nota.
Os ambientalistas, lamentavelmente, também saem sujos de toda esta história. Porque parecem mais preocupados com o show-off do que com a eficácia da acção.
Esta acção da Quercus (por acaso ignorada pelo seu próprio site...) peca, portanto, por tardia: ganham mais uns minutinhos de glória televisiva, mas perdem precisamente por parecer que só se preocupam com as aparências.

quinta-feira, julho 24, 2003

O fim do caminho
Pronto! A TSF acabou. O Rangel vai dar cabo daquilo: vai ser pior que o pior que ele fez na SIC e na RTP.
Nem me apetece dizer mais nada.

quarta-feira, julho 23, 2003

Faro... ainda
As "Escutas telefónicas" da TSF levantaram hoje uma questão interessante, ainda a propósito da concentração motard de Faro.
Alguém se lembra se no ano passado (e nos anteriores) já tinha acontecido aquela razia nos elementos da Brigada de Trânsito?
Escutas de Ferro
Francamente já não há pachorra para a lamúria de Ferro Rodrigues e as escutas telefónicas de que é (será...) alvo. Ele é conselheiro de Estado, ele prestou relevantes serviços ao País, ele...
Ele é, perante a Justiça, um cidadão como outro qualquer e fica-lhe muito mal esta constante invocação de um qualquer regime excepcional para políticos. Não lhes basta o que já têm?
Em qualquer caso, a coisa está a caminhar para o descrédito total e completo do sistema: num dia, um jornal garante que há escutas; no outro, dois jornais titulam o contrário; hoje, o primeiro insiste que sim e vai ao pormenor (ou maior...) de escrever que foram mais de 1700 telefonemas (no interior, porque na primeira página são mais de 1800...
Deixando de lado esta coisa curiosa de a mesma edição do jornal avançar números diferentes, o facto é que, deste processo da pedofilia, a Justiça não vai sair limpa... e fará companhia aos políticos.

terça-feira, julho 22, 2003

Talvez "bater no ceguinho"
Li agora na TSF uma notícia bem interessante, se vista em conjugação com o post anterior.
Em resumo, e no primeiro semestre do ano, o comércio tradicional registou uma diminuição das vendas, em contraposição com as grandes superfícies, que fizeram mais negócio.
O interessante da coisa é que, enquanto a associação das grandes superfícies quantifica o crescimento (mais 4,8 por cento, correspondentes a um bolo total de 3.029 milhões de euros no sector alimentar), os representantes do comércio tradicional (União das Associações do Comércio e Serviços e Associação dos Comerciantes do Porto) falam de crise e apontam quebras entre os 40 e os 60 por cento (!). Números, todavia, nada... zero!
Os dirigentes falam mesmo de situações em que não está a ser pago o subsídio de férias aos trabalhadores e culpam, claro!, o Pagamento Especial por Conta.
Insisto no que já escrevi: se têm tanta diminuição de vendas, ainda vendem alguma coisa? Ou já têm que ser os clientes a depositar coisas nas lojas?
Algumas perguntas finais: apesar da crise (que é óbvio que existe), como se explica o crescimento de vendas nas grandes superfícies? Não será resultado de uma transferência do comércio tradicional? E por que será?
Pensam que somos parvos?
Faro, "em peso", levantou-se em protestos contra a actuação da PSP e da GNR (BT) durante a recente concentração motard naquela cidade.
Desde o presidente da Câmara ao presidente dos hoteleiros e comerciantes, "toda a gente" se atira às forças policiais por... terem cumprido a obrigação. Poderia estranhar-se que PSP e GNR não actuassem mais vezes daquela maneira, mas contestar que os agentes tenham feito o que se espera deles é fantástico!
O que todos dizem - incluindo, naturalmente, o motoqueiro-mor da cidade - é que a imagem do País saiu prejudicada. Eu pasmo: querem então fazer-nos crer que o que é bom para Portugal é que meia dúzia de motoqueiros que nos visitem regressem a dizer a amigos e conhecidos que isto é porreiro porque: se pode circular sem capacete; se pode conduzir com excesso de álcool; não é preciso que as matrículas cumpram as normas; não é sequer preciso que os motos tenham matrícula; pode roubar-se uma moto, colocar-se outra matrícula ou matrícula nenhuma e circular porque ninguém está atento.
É solene! É então "esta" a imagem que os "papagaios" do principal destino turístico nacional querem passar para o estrangeiro. Deve ser a mesma de que se queixaram quando, há uns anos, a imprensa inglesa desaconselhou o Algarve porque havia uma forte tendência para esquentadores rebentarem ou largarem gás (o que, estranhamente, foi em alguns casos mortal...).
A lamúria é especialmente curiosa vinda dos comerciantes: então não é que o comércio registou quebras de 50 por cento nos dias da concentração? A somar às sucessivas "perdas" de sucessivos anos (alguém conhece algum "comerciante" que não registe perdas nos últimos dez anos e sempre na casa dos dois dígitos?), é digno de nota que não tenham falido todos...
Já agora... se não estou enganado nos números, só a BT da GNR registou perto de 500 infracções durante o fim-de-semana da concentração motard de Faro!
Pensam que somos parvos? Ou querem-nos fazer disso? Tá tudo doido...
Os fogos e os bombeiros
Ouvi há bocado - à hora do jantar... - a presidente da Câmara de Vila de Rei (ou Sertã, ou algo perto de onde andaram as chamas) a criticar fortemente a actuação dos bombeiros, especialmente no que ao comando diz respeito.
É claro que os bombeiros não gostaram e que se calhar a senhora exagerou nas críticas, o que as torna injustas. Mas parece-me que muita gente que se pavoneia no comando dos bombeiros (pessoas assim, como dizer, do nível distrital para cima) mostra-se muito mais preocupada em aparecer na TV (de preferência de blusão e boné vermelho com um "jipe" como fundo) a mandar uns bitaites num palavreado que talvez já se possa considerar "bombeirês", do que efectivamente coordenar o combate aos fogos.
Admito, humildemente, estar a ser profundamente injusto, mas há muito que desconfio de incompetência na proporção que os incêndios assumem, mesmo conhecendo quão acidentado é o País e quão desordenada está a floresta.
Mas, caramba!, 500 homens, aviões e helicópteros para combater durante três dias um fogo devia dar, pelo menos, para não deixar arder casas...
Mudanças
Uf! Depois de aturadas investigações (e de quase queimar as pestanas no écran do computador), consegui mudar o visual desta coisa para uma coloração mais de acordo comigo. Fantástico...