Bora lá, que vale a pena
Sem mais palavras, sigam para as "Terras do nunca"
quarta-feira, outubro 08, 2003
Por uma vez
A SIC e a RTP foram completamente cilindradas pela TVI na cobertura da chegada de Paulo Pedroso ao Palácio de S. Bento. Foi penoso ver os jornalistas daquelas duas televisões a falarem do boneco e para o boneco enquanto os seus colegas perseguiam Pedroso com perguntas e mostravam a "nomenclatura" socialista a encostar-se ao "desejado".
Minutos depois, já as tv's estavam em igualdade de circunstâncias e fiquei-me pela SIC. Deixemos os excessos destas ocasiões - os apertos, as perguntas sucessivas, a duração dos directos - para elogiar uma jornalista que reputo de antipática, pedante e outras "qualidades" similares.
Anabela Neves - que se deve ter em grande conta enquanto jornalista política e parlamentar - deu uma lição de como lidar com aquele assunto. Em primeiro lugar sublinhando que o processo não acabou; em segundo lugar confrontando alguns socialistas - nomeadamente Almeida Santos - com isso mesmo; em terceiro lugar destacando algum "excesso" da festa socialista; em último lugar, sabendo fazer ao advogado de Paulo Pedroso as perguntas que, de facto, interessavam ao público.
Por uma vez, que me lembre, a jornalista merece ser elogiada.
A SIC e a RTP foram completamente cilindradas pela TVI na cobertura da chegada de Paulo Pedroso ao Palácio de S. Bento. Foi penoso ver os jornalistas daquelas duas televisões a falarem do boneco e para o boneco enquanto os seus colegas perseguiam Pedroso com perguntas e mostravam a "nomenclatura" socialista a encostar-se ao "desejado".
Minutos depois, já as tv's estavam em igualdade de circunstâncias e fiquei-me pela SIC. Deixemos os excessos destas ocasiões - os apertos, as perguntas sucessivas, a duração dos directos - para elogiar uma jornalista que reputo de antipática, pedante e outras "qualidades" similares.
Anabela Neves - que se deve ter em grande conta enquanto jornalista política e parlamentar - deu uma lição de como lidar com aquele assunto. Em primeiro lugar sublinhando que o processo não acabou; em segundo lugar confrontando alguns socialistas - nomeadamente Almeida Santos - com isso mesmo; em terceiro lugar destacando algum "excesso" da festa socialista; em último lugar, sabendo fazer ao advogado de Paulo Pedroso as perguntas que, de facto, interessavam ao público.
Por uma vez, que me lembre, a jornalista merece ser elogiada.
La passionaria
A cena, há horas, da chegada de Paulo Pedroso ao Palácio de S. Bento fez-me lembrar a história de Dolores Ibarruri, deputada comunista que fugiu de Espanha em 1939 - quando Franco conquistou o poder - e ficou conhecida como "La Passionaria".
É verdade que Pedroso não voltou do exílio, nem tem idade que lhe permita ter lutado contra a ditadura de antes do 25 de Abril de 1974. Mas foi isso que primeiro me veio à ideia.
Todavia, provavelmente, o momento terá sido mais parecido com a chegada de Mário Soares a Santa Apolónia ou de Álvaro Cunhal à Portela, nos dias imediatos à "Revolução dos cravos". Pedroso -rodeado por todos, abraçado por todos, beijado por todas, fotografado e filmado de todos os ângulos, cercado de microfones - parecia o “salvador”.
A cena foi, claramente, excessiva, mesmo para um partido que perdeu o rumo com a sua detenção. Em boa verdade, aquele fim de tarde em S. Bento revelou um Ferro Rodrigues mais parecido com um mestre de cerimónias e um Paulo Pedroso líder do PS. Lá está: o "desejado" que volta, embora não no meio do nevoeiro.
Diverti-me a observar o afã com que todos queriam abraçar, beijar, saudar, ao menos encostar-se a Pedroso. Como me diverti ao ver o abraço frio trocado com Osvaldo Castro (coisas...).
Mas também me escandalizei.
Que diabo de cena foi aquela de um cidadão comum (Paulo Pedroso, é bom não esquecer, tem o mandato de deputado suspenso) entrar pelo Parlamento pela "porta de serviço", rodeado de amigos e jornalistas, sem que se vislumbrasse um pouco que fosse da segurança obrigatória do outro lado do edifício?
Que diabo de cena foi aquela de o mesmo cidadão comum – e o seu advogado - dar uma conferência de imprensa na sede do poder democrático português?
Que diabo de cena foi aquela de um partido inteiro receber em glória um seu militante e dirigente que apenas - sublinhe-se o apenas - viu ser alterada a medida de coacção de liberdade a que foi sujeito por ser arguido num processo penal?
A cena, há horas, da chegada de Paulo Pedroso ao Palácio de S. Bento fez-me lembrar a história de Dolores Ibarruri, deputada comunista que fugiu de Espanha em 1939 - quando Franco conquistou o poder - e ficou conhecida como "La Passionaria".
É verdade que Pedroso não voltou do exílio, nem tem idade que lhe permita ter lutado contra a ditadura de antes do 25 de Abril de 1974. Mas foi isso que primeiro me veio à ideia.
Todavia, provavelmente, o momento terá sido mais parecido com a chegada de Mário Soares a Santa Apolónia ou de Álvaro Cunhal à Portela, nos dias imediatos à "Revolução dos cravos". Pedroso -rodeado por todos, abraçado por todos, beijado por todas, fotografado e filmado de todos os ângulos, cercado de microfones - parecia o “salvador”.
A cena foi, claramente, excessiva, mesmo para um partido que perdeu o rumo com a sua detenção. Em boa verdade, aquele fim de tarde em S. Bento revelou um Ferro Rodrigues mais parecido com um mestre de cerimónias e um Paulo Pedroso líder do PS. Lá está: o "desejado" que volta, embora não no meio do nevoeiro.
Diverti-me a observar o afã com que todos queriam abraçar, beijar, saudar, ao menos encostar-se a Pedroso. Como me diverti ao ver o abraço frio trocado com Osvaldo Castro (coisas...).
Mas também me escandalizei.
Que diabo de cena foi aquela de um cidadão comum (Paulo Pedroso, é bom não esquecer, tem o mandato de deputado suspenso) entrar pelo Parlamento pela "porta de serviço", rodeado de amigos e jornalistas, sem que se vislumbrasse um pouco que fosse da segurança obrigatória do outro lado do edifício?
Que diabo de cena foi aquela de o mesmo cidadão comum – e o seu advogado - dar uma conferência de imprensa na sede do poder democrático português?
Que diabo de cena foi aquela de um partido inteiro receber em glória um seu militante e dirigente que apenas - sublinhe-se o apenas - viu ser alterada a medida de coacção de liberdade a que foi sujeito por ser arguido num processo penal?
Que Justiça é esta?
Li, ouvi e estou a ver. O Tribunal da Relação de Lisboa mandou libertar Paulo Pedroso, com base em fundamentos deconhecidos neste momento.
Nunca se devem levantar estas questões sem afirmar, prévia e solenemente, que se acredita na Justiça. É politicamente correcto e pode dar jeito se, um dia, lá cairmos.
Mas eu não acredito. E, se fosse possível, a partir de hoje muito menos. Porque há aqui algo errado e muito grave.
Das duas uma:
* ou Paulo Pedroso não devia ter sido detido - e estaremos perante um caso de abuso de posição dominante (do juiz perante o fraco)
* ou Paulo Pedroso não devia ter sido libertado - e estaremos perante um exemplo de justiça para ricos e poderosos (os que podem recorrer a bons advogados).
A Justiça sai mal disto, tal como está - para mim - patente com esta rábula do adiamento do julgamento do tal "Bibi" e se começara a evidenciar com o adiamento do que creio chamar-se "audições para memória futura".
Se à libertação de Paulo Pedroso juntarmos a "cena" do não julgamento do "sr. Santos" de Albergaria, que violou e engravidou duas adolescentes (ou pré-adolescentes?), temos um quadro pior - muito pior - que negro.
Li, ouvi e estou a ver. O Tribunal da Relação de Lisboa mandou libertar Paulo Pedroso, com base em fundamentos deconhecidos neste momento.
Nunca se devem levantar estas questões sem afirmar, prévia e solenemente, que se acredita na Justiça. É politicamente correcto e pode dar jeito se, um dia, lá cairmos.
Mas eu não acredito. E, se fosse possível, a partir de hoje muito menos. Porque há aqui algo errado e muito grave.
Das duas uma:
* ou Paulo Pedroso não devia ter sido detido - e estaremos perante um caso de abuso de posição dominante (do juiz perante o fraco)
* ou Paulo Pedroso não devia ter sido libertado - e estaremos perante um exemplo de justiça para ricos e poderosos (os que podem recorrer a bons advogados).
A Justiça sai mal disto, tal como está - para mim - patente com esta rábula do adiamento do julgamento do tal "Bibi" e se começara a evidenciar com o adiamento do que creio chamar-se "audições para memória futura".
Se à libertação de Paulo Pedroso juntarmos a "cena" do não julgamento do "sr. Santos" de Albergaria, que violou e engravidou duas adolescentes (ou pré-adolescentes?), temos um quadro pior - muito pior - que negro.
segunda-feira, outubro 06, 2003
Muito mentirosa
Hoje acordei com uma jornalista da TSF a dizer que Maria da Graça Carvalho negara ser a próxima ministra da Ciência e Ensino Superior. A senhora, supostamente, ficou muito surpreendida com a pergunta da TSF.
Meia-dúzia de horas depois (nem tanto...) era oficial que Maria da Graça Carvalho tomaria posse como ministra da Ciência e Ensino Superior às 17 horas (ainda hoje, portanto).
Das duas... três:
1. Ou a TSF montou a notícia e mentiu;
2. Ou Durão Barroso convidou a senhora depois da notícia da TSF;
3. Ou a senhora começa muito pior que o seu antecessor saiu...
Hoje acordei com uma jornalista da TSF a dizer que Maria da Graça Carvalho negara ser a próxima ministra da Ciência e Ensino Superior. A senhora, supostamente, ficou muito surpreendida com a pergunta da TSF.
Meia-dúzia de horas depois (nem tanto...) era oficial que Maria da Graça Carvalho tomaria posse como ministra da Ciência e Ensino Superior às 17 horas (ainda hoje, portanto).
Das duas... três:
1. Ou a TSF montou a notícia e mentiu;
2. Ou Durão Barroso convidou a senhora depois da notícia da TSF;
3. Ou a senhora começa muito pior que o seu antecessor saiu...
domingo, outubro 05, 2003
Sua excelência exagera
O senhor Presidente da República vem-se multiplicando em declarações sobre o estado da Justiça. Jorge Sampaio, quanto a mim, exagera.
Por várias razões, a saber:
Não é de hoje que a Justiça está no estado em que está. A Justiça e, diga-se, outros sectores que vêm, igualmente, merecendo a presidencial atenção. Não é de hoje que o Ministério Público/Procuradoria-geral da República têm os poderes que têm. No passado, todavia, o Presidente da República manteve-se calado ou, eventualmente, falou demasiado baixo, o que dá no mesmo.
Vir agora falar sobre direitos dos arguidos, ou dos detidos preventivamente se não é o mesmo, soa a dor relativamente aos “poderosos” presos. Vir agora falar disso, e com a insistência com que Jorge Sampaio o faz parece mal e dá para desconfiar.
O cidadão Jorge Sampaio partilhou o escritório de advocacia com dois ex-ministros socialistas da Justiça: Vera Jardim e António Costa. Nesses tempos, manteve-se calado enquanto o anterior Procurador-geral da República concentrava poderes e somava polémicas.
O Presidente da República esteve calado durante todos os dias em que cidadãos comuns foram vítimas da mesma Justiça que agora está tão na ordem do dia: os advogados eram os mesmos, os juízes idem, os investigadores idem idem.
Parece mal, parece-me muito mal, que o Presidente da República tenha começado a falar quando foi detido alguém da sua família política. Também por isso, Jorge Sampaio devia ser mais, digamos, prudente.
Não porque as razões não sejam boas. Desconfio que são, até, muito boas. Mas, insisto, esta Justiça existe assim há muitos anos e de Sampaio não se ouviu uma palavra. Agora parece mal.
Já agora, de Jorge Sampaio - e sobre este mesmo tema - esperar-se-ia uma tomada de posição de alerta contra a mais recente proposta do bastonário da Ordem dos Advogados: Júdice defendeu publica e implicitamente o reforço dos poderes da Judiciária e do Ministério Público.
Iremos de mal a pior e, aqui, sim, era desejável uma palavra, uma frase, um discurso, do Presidente da República.
O senhor Presidente da República vem-se multiplicando em declarações sobre o estado da Justiça. Jorge Sampaio, quanto a mim, exagera.
Por várias razões, a saber:
Não é de hoje que a Justiça está no estado em que está. A Justiça e, diga-se, outros sectores que vêm, igualmente, merecendo a presidencial atenção. Não é de hoje que o Ministério Público/Procuradoria-geral da República têm os poderes que têm. No passado, todavia, o Presidente da República manteve-se calado ou, eventualmente, falou demasiado baixo, o que dá no mesmo.
Vir agora falar sobre direitos dos arguidos, ou dos detidos preventivamente se não é o mesmo, soa a dor relativamente aos “poderosos” presos. Vir agora falar disso, e com a insistência com que Jorge Sampaio o faz parece mal e dá para desconfiar.
O cidadão Jorge Sampaio partilhou o escritório de advocacia com dois ex-ministros socialistas da Justiça: Vera Jardim e António Costa. Nesses tempos, manteve-se calado enquanto o anterior Procurador-geral da República concentrava poderes e somava polémicas.
O Presidente da República esteve calado durante todos os dias em que cidadãos comuns foram vítimas da mesma Justiça que agora está tão na ordem do dia: os advogados eram os mesmos, os juízes idem, os investigadores idem idem.
Parece mal, parece-me muito mal, que o Presidente da República tenha começado a falar quando foi detido alguém da sua família política. Também por isso, Jorge Sampaio devia ser mais, digamos, prudente.
Não porque as razões não sejam boas. Desconfio que são, até, muito boas. Mas, insisto, esta Justiça existe assim há muitos anos e de Sampaio não se ouviu uma palavra. Agora parece mal.
Já agora, de Jorge Sampaio - e sobre este mesmo tema - esperar-se-ia uma tomada de posição de alerta contra a mais recente proposta do bastonário da Ordem dos Advogados: Júdice defendeu publica e implicitamente o reforço dos poderes da Judiciária e do Ministério Público.
Iremos de mal a pior e, aqui, sim, era desejável uma palavra, uma frase, um discurso, do Presidente da República.
sexta-feira, outubro 03, 2003
Coincidências
Ele há coisas curiosas...
No mesmo dia em que o ministro do Ensino Superior até tinha um episódio que poderia capitalizar a seu favor, cai estrondosamente devido a uma trapalhada inacreditável (e inaceitável, já agora...)
Vejamos por partes:
1. O ministro, a filha do ministro e a universidade
A filha do ministro dos Negócios Estrangeiros resolveu escrever ao colega do pai, pedindo-lhe um regime de excepção para poder entrar numa qualquer faculdade de ciências médicas. O ministro, certamente desconhecendo de quem se tratava, subscreveu o parecer do seu director-geral (ou lá o que é) e autorizou. Acontece que não há despachos ou portarias que contrariem leis ou decretos-lei. A coisa soube-se e, pum!, acabou um dos poucos Lynces de que havia notícia em Portugal.
2. A praxe no seu melhor
Onze (11) estudantes do ensino superior foram detidos em Oeiras devido a um arremedo de assalto a uma dependência bancária. Ao que parece, era a praxe. Se percebi, uns quaisquer veteranos mandaram os indefesos jovens simular um assalto à Caixa Geral de Depósitos. Tá certo! O que é preciso é imaginação: com o povo farto das palermices do costume, nada melhor que inventar novos caminhos para "integrar" os caloiros no "espírito". Se todos eles (mandantes e mandados) não forem expulsos do ensino superior, será que alguém continua a acreditar que as "instituições" funcionam?
Ele há coisas curiosas...
No mesmo dia em que o ministro do Ensino Superior até tinha um episódio que poderia capitalizar a seu favor, cai estrondosamente devido a uma trapalhada inacreditável (e inaceitável, já agora...)
Vejamos por partes:
1. O ministro, a filha do ministro e a universidade
A filha do ministro dos Negócios Estrangeiros resolveu escrever ao colega do pai, pedindo-lhe um regime de excepção para poder entrar numa qualquer faculdade de ciências médicas. O ministro, certamente desconhecendo de quem se tratava, subscreveu o parecer do seu director-geral (ou lá o que é) e autorizou. Acontece que não há despachos ou portarias que contrariem leis ou decretos-lei. A coisa soube-se e, pum!, acabou um dos poucos Lynces de que havia notícia em Portugal.
2. A praxe no seu melhor
Onze (11) estudantes do ensino superior foram detidos em Oeiras devido a um arremedo de assalto a uma dependência bancária. Ao que parece, era a praxe. Se percebi, uns quaisquer veteranos mandaram os indefesos jovens simular um assalto à Caixa Geral de Depósitos. Tá certo! O que é preciso é imaginação: com o povo farto das palermices do costume, nada melhor que inventar novos caminhos para "integrar" os caloiros no "espírito". Se todos eles (mandantes e mandados) não forem expulsos do ensino superior, será que alguém continua a acreditar que as "instituições" funcionam?
domingo, setembro 28, 2003
Cheira a podre II
Já aqui escrevi que isto não é para ser feito com recurso a cópias e/ou transcrições, mas não tenho vergonha de "importar teses" que partilho e que outros escreveram melhor do que eu faria.
Ora leiam isto:
"Podiam também aproveitar a história do helicóptero para melhor dissecarem as “corporações” de bombeiros em Portugal, que hoje servirão para quase tudo menos para apagar incêndios. Por ali se traficam influências e poderes, se preparam e fomentam guerras autárquicas, se delapidam recursos públicos em investimentos de utilidade mais que duvidosa. Uma corporação algures para os lados de Melres – sabem onde fica? – até investiu numa câmara de descompressão! – sabem para que serve? Aliás, a eficácia na extinção (e prevenção) de incêndios, varia na razão inversa da sofisticação de equipamentos."
Original no "Mata-mouros"
Já aqui escrevi que isto não é para ser feito com recurso a cópias e/ou transcrições, mas não tenho vergonha de "importar teses" que partilho e que outros escreveram melhor do que eu faria.
Ora leiam isto:
"Podiam também aproveitar a história do helicóptero para melhor dissecarem as “corporações” de bombeiros em Portugal, que hoje servirão para quase tudo menos para apagar incêndios. Por ali se traficam influências e poderes, se preparam e fomentam guerras autárquicas, se delapidam recursos públicos em investimentos de utilidade mais que duvidosa. Uma corporação algures para os lados de Melres – sabem onde fica? – até investiu numa câmara de descompressão! – sabem para que serve? Aliás, a eficácia na extinção (e prevenção) de incêndios, varia na razão inversa da sofisticação de equipamentos."
Original no "Mata-mouros"
sexta-feira, setembro 26, 2003
Cheira a podre
A história do helicóptero de Lamego, que supostamente ali está para acudir a situações de emergência mas que servia para turismo, mostra bem até que ponto funciona o corporativismo, neste caso dos bombeiros.
O ministro suspendeu o comandante dos bombeiros locais - nem podia ser de outra maneira - e demitiu o responsável distrital da Protecção Civil e Bombeiros.
E logo se começou a ouvir o coro de protestos. Uns dizem que estão inocentes, outros que o ministro não devia ter feito o que fez. Ou seja: não se pode mexer com aqueles senhores.
Enquanto não se alterar profundamente a organização dos bombeiros, a coisa continua assim:
- uns fogos são bem combatidos, outros não;
- as protecções cimentam-se em almoçaradas, a coberto de reuniões importantíssimas;
- o nosso dinheiro é gasto (também) em promoções pessoais de uns quantos "baronetes".
O ministro, que esteve tão mal durante todo o Verão, teve agora uma oportunidade de se "limpar": teve sorte.
A história do helicóptero de Lamego, que supostamente ali está para acudir a situações de emergência mas que servia para turismo, mostra bem até que ponto funciona o corporativismo, neste caso dos bombeiros.
O ministro suspendeu o comandante dos bombeiros locais - nem podia ser de outra maneira - e demitiu o responsável distrital da Protecção Civil e Bombeiros.
E logo se começou a ouvir o coro de protestos. Uns dizem que estão inocentes, outros que o ministro não devia ter feito o que fez. Ou seja: não se pode mexer com aqueles senhores.
Enquanto não se alterar profundamente a organização dos bombeiros, a coisa continua assim:
- uns fogos são bem combatidos, outros não;
- as protecções cimentam-se em almoçaradas, a coberto de reuniões importantíssimas;
- o nosso dinheiro é gasto (também) em promoções pessoais de uns quantos "baronetes".
O ministro, que esteve tão mal durante todo o Verão, teve agora uma oportunidade de se "limpar": teve sorte.
terça-feira, setembro 23, 2003
Desabafos
Tch!! Mais uma eternidade pousado. A vida é assim: não tenho tido disposição, mas agora apetece-me.
Apetece-me comentar dois factos do dia (segunda-feira, entenda-se).
Assunto 1: Dia sem carros
Estou como o director do "Público" no seu editorial de hoje. Para que serve esta treta, se não acontece nada para além de folclore?
Há três (ou quantos?) anos que andamos nisto, e que vantagens resultaram na generalidade das cidades aderentes?
Aqui pela "cidade média" onde resido... nada. Promessas, mais promessas, outras promessas... e tudo na mesma.
Tudo na mesma, não. Tudo pior porque, apesar da crise, não pára de aumentar o número de carros que invade tudo quanto é espaço e sítio.
Os autarcas deviam deixar-se de tretas.
Assunto 2: escutas telefónicas a suspeitos de fogo posto
Sua insolência e pesporrência o bastonário da Ordem dos Advogados veio a público chorar as escutas telefónicas que visam suspeitos de fogo posto. O inefável Júdice entende que é uma violência, que a polícia devia procurar as provas de outra forma.
Não diz qual, mas eu suspeito: como a maioria dos fogos aconteceram na "região centro", deviam-se convidar os suspeitos para a sua Quinta das Lágrimas, ali em Coimbra, onde entre chás e torradas os agentes da PJ, delicadamente, fariam as perguntinhas. Pelo meio, Júdice cobrava o serviço de cafetaria à PJ e os serviços de advogado aos suspeitos...
O maior de todos os advogados não se enxerga e faz por não perceber que nós (ou alguns de nós) percebemos que muitos advogados não sabem fazer mais nada do que entravar a Justiça.
Eu, cidadão português, estou-me nas tintas para os métodos da PJ na procura dos responsáveis pelos fogos, desde que a integridade física dos sujeitos não seja posta em causa. Quero é que encontrem os culpados.
O bastonário dos advogados precisava de umas bastonadas...
Tch!! Mais uma eternidade pousado. A vida é assim: não tenho tido disposição, mas agora apetece-me.
Apetece-me comentar dois factos do dia (segunda-feira, entenda-se).
Assunto 1: Dia sem carros
Estou como o director do "Público" no seu editorial de hoje. Para que serve esta treta, se não acontece nada para além de folclore?
Há três (ou quantos?) anos que andamos nisto, e que vantagens resultaram na generalidade das cidades aderentes?
Aqui pela "cidade média" onde resido... nada. Promessas, mais promessas, outras promessas... e tudo na mesma.
Tudo na mesma, não. Tudo pior porque, apesar da crise, não pára de aumentar o número de carros que invade tudo quanto é espaço e sítio.
Os autarcas deviam deixar-se de tretas.
Assunto 2: escutas telefónicas a suspeitos de fogo posto
Sua insolência e pesporrência o bastonário da Ordem dos Advogados veio a público chorar as escutas telefónicas que visam suspeitos de fogo posto. O inefável Júdice entende que é uma violência, que a polícia devia procurar as provas de outra forma.
Não diz qual, mas eu suspeito: como a maioria dos fogos aconteceram na "região centro", deviam-se convidar os suspeitos para a sua Quinta das Lágrimas, ali em Coimbra, onde entre chás e torradas os agentes da PJ, delicadamente, fariam as perguntinhas. Pelo meio, Júdice cobrava o serviço de cafetaria à PJ e os serviços de advogado aos suspeitos...
O maior de todos os advogados não se enxerga e faz por não perceber que nós (ou alguns de nós) percebemos que muitos advogados não sabem fazer mais nada do que entravar a Justiça.
Eu, cidadão português, estou-me nas tintas para os métodos da PJ na procura dos responsáveis pelos fogos, desde que a integridade física dos sujeitos não seja posta em causa. Quero é que encontrem os culpados.
O bastonário dos advogados precisava de umas bastonadas...
segunda-feira, setembro 15, 2003
De luto
Não era suposto que o "Mocho" estivesse pousado tanto tempo (coisas da vida...) e muito menos era suposto que voltasse a voar por esta razão.
Morreu Vítor Damas e eu estou de luto: nunca joguei futebol a sério, muito menos tentei ser o "Damas", mas desde sempre me conheço sportinguista e muito muito novo tive o supremo gozo de jantar ao lado dele.
O Sporting acabara de se sagrar campeão e a equipa veio jantar à minha cidade. O meu pai levou-me e eu calhei ao lado dele. Algures - não sei onde, mas vou procurar - hei-de ter um autógrafo dele...
Ele foi (ele é) - como o Azevedo e o Carlos Gomes para outros - o "meu" guarda-redes. Lembro-me de um célebre jogo para uma Taça europeia (não me recordo qual...), contra o Glasgow Rangers, em o Sporting foi a penáltis para decidir a passagem à fase seguinte: o Damas - bem à minha frente em Alvalade - defendeu uma série impressionante de penáltis. Para nada: os golos fora valiam o dobro e os escoceses já estavam apurados...
Suprema ironia: o Damas morreu com o estádio onde tanto brilhou.
Paz à sua alma.
Não era suposto que o "Mocho" estivesse pousado tanto tempo (coisas da vida...) e muito menos era suposto que voltasse a voar por esta razão.
Morreu Vítor Damas e eu estou de luto: nunca joguei futebol a sério, muito menos tentei ser o "Damas", mas desde sempre me conheço sportinguista e muito muito novo tive o supremo gozo de jantar ao lado dele.
O Sporting acabara de se sagrar campeão e a equipa veio jantar à minha cidade. O meu pai levou-me e eu calhei ao lado dele. Algures - não sei onde, mas vou procurar - hei-de ter um autógrafo dele...
Ele foi (ele é) - como o Azevedo e o Carlos Gomes para outros - o "meu" guarda-redes. Lembro-me de um célebre jogo para uma Taça europeia (não me recordo qual...), contra o Glasgow Rangers, em o Sporting foi a penáltis para decidir a passagem à fase seguinte: o Damas - bem à minha frente em Alvalade - defendeu uma série impressionante de penáltis. Para nada: os golos fora valiam o dobro e os escoceses já estavam apurados...
Suprema ironia: o Damas morreu com o estádio onde tanto brilhou.
Paz à sua alma.
quarta-feira, agosto 13, 2003
Triste realidade
Garanto que isto não se vai tornar uma espécie de copia e cola, muito menos o resumo do que vou lendo em outros blogs. Mas hoje é a segunda coisa que leio e me deixa de boca aberta de tão certeiro.
Leiam aqui:
Desburocratização
O homem andou dois anos de repartição em repartição, de guichet em guichet, para obter um papel que lhe permitisse abater 60 pinheiros, por forma a aumentar uma linha corta-fogo.
Esta semana finalmente viu o seu problema resolvido.
Garanto que isto não se vai tornar uma espécie de copia e cola, muito menos o resumo do que vou lendo em outros blogs. Mas hoje é a segunda coisa que leio e me deixa de boca aberta de tão certeiro.
Leiam aqui:
Desburocratização
O homem andou dois anos de repartição em repartição, de guichet em guichet, para obter um papel que lhe permitisse abater 60 pinheiros, por forma a aumentar uma linha corta-fogo.
Esta semana finalmente viu o seu problema resolvido.
Certeiro mais certeiro não há
Ena! Uma semana inteira sem uma única "entrada" nisto que pretendia ser um arremedo de diário!
É verdade. Tem faltado o tempo e a disposição, que o calor é tanto que não deixa margem para grandes ocupações depois do obrigatório trabalho. E este não dá tréguas, tal como os fogos...
O que me traz aqui hoje (precisamente na véspera de entrar de férias, e portanto com algum tempo menos ocupado no emprego) é uma frase lida durante o raid sobre os blogs do costume.
Ela reza assim: "O que fica para lá do litoral do país é uma massa de gente que sobrou". Pode ser lida aqui e é, na minha modesta opinião, fenomenal para explicar tudo o vamos vendo, ouvindo e lendo nestas últimas duas semanas.
Está no título: certeiro mais certeiro não há. Podemos, sobre os fogos, discutir tudo (e algumas coisas já estão algures lá para trás, certamente no arquivo). A falta de meios dos bombeiros ou o desordenamento da floresta, a incompetência dos comandos ou a não-existência de um ministro, o clima, o azar, a imprudência, a negligência: o tema é inesgotável.
Mas... Na base de tudo está uma situação que oiço há quase três décadas a Gonçalo Ribeiro Telles: a concentração de população nas periferias das grandes (e pequenas e médias, acrescento eu) cidades teria como consequência, mais cedo ou mais tarde, a destruição da floresta, como teria de todo o mundo rural. Já está!
Bastou que se reunissem todos os elementos para o País ver - mas temo não perceber - o que estava escrito viria a acontecer. Portugal vive "inclinado" para o mar e está-se nas tintas para quem ficou "na terra": vai-se lá pelo Natal, no Verão (quando muito...) para a festa da aldeia e pronto! Em Lisboa, no Porto, ou no intervalo entre estas duas cidades, comportamo-nos da mesma forma do que os que emigraram para Paris...
Pois é! Lá longe, aí a 30 quilómetros da costa, vivem os que sobraram. Mais velhos, mais fracos, mais abandonados, menos capazes... Agora choramos com eles. Que não sejam, ao menos, lágrimas de crocodilo.
Ena! Uma semana inteira sem uma única "entrada" nisto que pretendia ser um arremedo de diário!
É verdade. Tem faltado o tempo e a disposição, que o calor é tanto que não deixa margem para grandes ocupações depois do obrigatório trabalho. E este não dá tréguas, tal como os fogos...
O que me traz aqui hoje (precisamente na véspera de entrar de férias, e portanto com algum tempo menos ocupado no emprego) é uma frase lida durante o raid sobre os blogs do costume.
Ela reza assim: "O que fica para lá do litoral do país é uma massa de gente que sobrou". Pode ser lida aqui e é, na minha modesta opinião, fenomenal para explicar tudo o vamos vendo, ouvindo e lendo nestas últimas duas semanas.
Está no título: certeiro mais certeiro não há. Podemos, sobre os fogos, discutir tudo (e algumas coisas já estão algures lá para trás, certamente no arquivo). A falta de meios dos bombeiros ou o desordenamento da floresta, a incompetência dos comandos ou a não-existência de um ministro, o clima, o azar, a imprudência, a negligência: o tema é inesgotável.
Mas... Na base de tudo está uma situação que oiço há quase três décadas a Gonçalo Ribeiro Telles: a concentração de população nas periferias das grandes (e pequenas e médias, acrescento eu) cidades teria como consequência, mais cedo ou mais tarde, a destruição da floresta, como teria de todo o mundo rural. Já está!
Bastou que se reunissem todos os elementos para o País ver - mas temo não perceber - o que estava escrito viria a acontecer. Portugal vive "inclinado" para o mar e está-se nas tintas para quem ficou "na terra": vai-se lá pelo Natal, no Verão (quando muito...) para a festa da aldeia e pronto! Em Lisboa, no Porto, ou no intervalo entre estas duas cidades, comportamo-nos da mesma forma do que os que emigraram para Paris...
Pois é! Lá longe, aí a 30 quilómetros da costa, vivem os que sobraram. Mais velhos, mais fracos, mais abandonados, menos capazes... Agora choramos com eles. Que não sejam, ao menos, lágrimas de crocodilo.
quinta-feira, agosto 07, 2003
Sem palavras
Depois de um dia particularmente prolixo (pensam que se confunde com "pró lixo"? ), fiquei completamente sem palavras.
Alguma vez imaginaria o que estava reservado para os dias seguintes? Fogo por todo o lado (domingo "ardiam" 13 dos 18 distritos)...
Fiquei esmagado. Aldeias, vilas, pelo menos uma cidade rodeadas de labaredas, sufocadas pelo fumo e pelo desespero. Ministros e outros notáveis a multiplicarem declarações vazias e ocas, enquanto os cidadãos viam os seus bens consumidos, mais de uma dezena de mortos.
É muito!
Não vale a pena discorrer sobre causas, efeitos, culpados. O rol é tão grande!... Mas uma coisa tenho como certa. Figueiredo Lopes devia ter vergonha. E sair. Nem que fosse empurrado.
Depois de um dia particularmente prolixo (pensam que se confunde com "pró lixo"? ), fiquei completamente sem palavras.
Alguma vez imaginaria o que estava reservado para os dias seguintes? Fogo por todo o lado (domingo "ardiam" 13 dos 18 distritos)...
Fiquei esmagado. Aldeias, vilas, pelo menos uma cidade rodeadas de labaredas, sufocadas pelo fumo e pelo desespero. Ministros e outros notáveis a multiplicarem declarações vazias e ocas, enquanto os cidadãos viam os seus bens consumidos, mais de uma dezena de mortos.
É muito!
Não vale a pena discorrer sobre causas, efeitos, culpados. O rol é tão grande!... Mas uma coisa tenho como certa. Figueiredo Lopes devia ter vergonha. E sair. Nem que fosse empurrado.
sexta-feira, agosto 01, 2003
Ainda mais sobre fogos
O senhor ministro da Administração Interna disse que a intervenção dos meios de combate aos fogos tem sido positiva (aqui).
Ainda bem. Ficamos todos muito mais descansados. Suspeito mesmo que as imagens que as televisões estão a passar e as fotos que os jornais publicam são de arquivo ou de um outro qualquer país onde, por acaso, a língua oficial é a portuguesa.
Será que nem a vergonha os cala?
O senhor ministro da Administração Interna disse que a intervenção dos meios de combate aos fogos tem sido positiva (aqui).
Ainda bem. Ficamos todos muito mais descansados. Suspeito mesmo que as imagens que as televisões estão a passar e as fotos que os jornais publicam são de arquivo ou de um outro qualquer país onde, por acaso, a língua oficial é a portuguesa.
Será que nem a vergonha os cala?
Os generais no seu labirinto
Os senhores generais que ontem se reuniram para jantar concluíram que o ministro da Defesa é réu de “tentativas de intromissão” em áreas de competência das esferas militares (ler, por exemplo, aqui e aqui). É solene... Com que então o ministro da Defesa (que penso que ainda tem a tutela sobre as Forças Armadas) tentou intrometer-se em áreas reservadas aos militares! Tribunal de guerra com ele, já!
Os senhores generais concluíram mais. Concluíram que se agravou a “grande carência orçamental do Exército”. Acredito, mas pergunto-me se as Forças Armadas são uma ilha no País, que não tenha, como os outros, de respeitar algumas restrições financeiras.
Os senhores generais alongam ainda as suas razões, falando de uma “confiança ética” que os políticos têm de merecer dos comandos da tropa. Os senhores generais pensarão que estamos em 1974 e 75, com a Junta de Salvação Nacional e o Conselho da Revolução? Não estamos e já somos adultos!
Antes de se sentar à mesa, o senhor general Garcia dos Santos terá garantido que o jantar não tinha qualquer “intenção política”. Claro que não! Encontraram-se por acaso e, por acaso, resolveram mostrar que existem já que, ainda segundo aquele senhor general, “sempre que passamos para a reserva somos esquecidos”.
Mas melhor é a justificação de Ramalho Eanes para a sua presença: é um “cidadão empenhado”! Eu também sou e, no entanto, não fui convidado. Será que se esqueceram ou é por nunca ter usado farda?
Os senhores generais que ontem se reuniram para jantar concluíram que o ministro da Defesa é réu de “tentativas de intromissão” em áreas de competência das esferas militares (ler, por exemplo, aqui e aqui). É solene... Com que então o ministro da Defesa (que penso que ainda tem a tutela sobre as Forças Armadas) tentou intrometer-se em áreas reservadas aos militares! Tribunal de guerra com ele, já!
Os senhores generais concluíram mais. Concluíram que se agravou a “grande carência orçamental do Exército”. Acredito, mas pergunto-me se as Forças Armadas são uma ilha no País, que não tenha, como os outros, de respeitar algumas restrições financeiras.
Os senhores generais alongam ainda as suas razões, falando de uma “confiança ética” que os políticos têm de merecer dos comandos da tropa. Os senhores generais pensarão que estamos em 1974 e 75, com a Junta de Salvação Nacional e o Conselho da Revolução? Não estamos e já somos adultos!
Antes de se sentar à mesa, o senhor general Garcia dos Santos terá garantido que o jantar não tinha qualquer “intenção política”. Claro que não! Encontraram-se por acaso e, por acaso, resolveram mostrar que existem já que, ainda segundo aquele senhor general, “sempre que passamos para a reserva somos esquecidos”.
Mas melhor é a justificação de Ramalho Eanes para a sua presença: é um “cidadão empenhado”! Eu também sou e, no entanto, não fui convidado. Será que se esqueceram ou é por nunca ter usado farda?
Mais sobre fogos
O "Público" de hoje acrescenta mais uma acha para (apagar) a fogueira.
Em substância, o que se passa é que há um sistema de detecção de incêndios florestais com recurso a satélites que está pronto a usar. Basta que o Governo compre o hardware necessário.
Mas, acrescento eu, parece que o dinheiro está a ser utillizado para pagar o aluguer de aviões e helicópteros...
O "Público" de hoje acrescenta mais uma acha para (apagar) a fogueira.
Em substância, o que se passa é que há um sistema de detecção de incêndios florestais com recurso a satélites que está pronto a usar. Basta que o Governo compre o hardware necessário.
Mas, acrescento eu, parece que o dinheiro está a ser utillizado para pagar o aluguer de aviões e helicópteros...
Uma democracia que não é a minha
Nove (9!) senhores generais do exército português reuniram-se ontem ao jantar. Oito deles, se não me engano, estão na reserva (ou na reforma), o que os transforma, pelo menos em tempo de paz, em vulgares cidadãos como eu ou qualquer de vós que me leia.
Nove generais sentaram-se à mesa de um restaurante para ouvir de um deles as razões de queixa relativamente ao poder político. Nós até sabemos o fundamental: aquele único que está no activo perdeu a confiança no seu chefe - caso notável, este de um subordinado perder a confiança em quem manda nele...
Nove generais que invocaram a democracia para se juntarem. Nove generais que ousaram desafiar a democracia, contestando - corporativamente - quem tem uma legitimidade que resulta do voto popular.
Recuemos mais alguns dias. Não sei se nove - talvez mais, talvez menos - notáveis civis reuniram-se - quiçá ao jantar... - e assinaram um texto em que, em nome da democracia, pedem nem sei bem o quê relativamente à nossa Justiça. Entre estes notáveis contam-se não sei quantos deputados e ex-deputados, um ex-Presidente da República (que também foi deputado e primeiro-ministro e é deputado europeu), um candidato derrotado à Presidência da República (que também foi deputado, vice-primeiro-ministro e, até, presidente da Assembleia Geral da ONU).
Algo me separa profundamente de todos estes senhores e senhoras. Algo que ultrapassa divergências ideológicas e diferenças de análise conjuntural.
Tal como eles (todos?) não gosto de Paulo Portas. Tal como eles (todos?) desconfio de Durão Barroso e do conjunto de nulidades que o rodeiam.
Onde os nossos caminhos se separam é logo ali a seguir.
Porque eu, não gostando particularmente deste governo, respeito o voto popular e sei que tenho que esperar pelas próximas eleições para "dizer" o que penso. Seja da tropa, da justiça, das gravatas dos senhores ou dos lenços das senhoras.
Eles, pelo contrário, estão convencidos que o povo foi cacicado ou se enganou. E não admitem que quem detém o poder não sejam os seus amigos. Eles pensam a democracia como um instrumento ao seu serviço, dos amigos e dos interesses. Eles não admitem que o seu tempo está a passar (ou já passou). Eles esquecem que, para o bem ou para o mal, quem hoje ocupa o poder são os filhos deles: se são maus... é porque foram formados assim!
Para acabar com quem comecei. O problema dos tropas (do exército em particular) é que quiseram acabar com a guerra colonial e manter as mordomias. Mas o dinheiro não chega para sustentar tantos generais e outros oficiais superiores, mais os inferiores, os sargentos, os praças e a modernização do material. Eles não querem perceber que é mais importante um fontanário de aldeia que uma bala e que o dinheiro que gastamos para eles preguiçarem nas paradas dos quartéis era mais bem empregue no reforço da vigilância das florestas, por exemplo!
Nove (9!) senhores generais do exército português reuniram-se ontem ao jantar. Oito deles, se não me engano, estão na reserva (ou na reforma), o que os transforma, pelo menos em tempo de paz, em vulgares cidadãos como eu ou qualquer de vós que me leia.
Nove generais sentaram-se à mesa de um restaurante para ouvir de um deles as razões de queixa relativamente ao poder político. Nós até sabemos o fundamental: aquele único que está no activo perdeu a confiança no seu chefe - caso notável, este de um subordinado perder a confiança em quem manda nele...
Nove generais que invocaram a democracia para se juntarem. Nove generais que ousaram desafiar a democracia, contestando - corporativamente - quem tem uma legitimidade que resulta do voto popular.
Recuemos mais alguns dias. Não sei se nove - talvez mais, talvez menos - notáveis civis reuniram-se - quiçá ao jantar... - e assinaram um texto em que, em nome da democracia, pedem nem sei bem o quê relativamente à nossa Justiça. Entre estes notáveis contam-se não sei quantos deputados e ex-deputados, um ex-Presidente da República (que também foi deputado e primeiro-ministro e é deputado europeu), um candidato derrotado à Presidência da República (que também foi deputado, vice-primeiro-ministro e, até, presidente da Assembleia Geral da ONU).
Algo me separa profundamente de todos estes senhores e senhoras. Algo que ultrapassa divergências ideológicas e diferenças de análise conjuntural.
Tal como eles (todos?) não gosto de Paulo Portas. Tal como eles (todos?) desconfio de Durão Barroso e do conjunto de nulidades que o rodeiam.
Onde os nossos caminhos se separam é logo ali a seguir.
Porque eu, não gostando particularmente deste governo, respeito o voto popular e sei que tenho que esperar pelas próximas eleições para "dizer" o que penso. Seja da tropa, da justiça, das gravatas dos senhores ou dos lenços das senhoras.
Eles, pelo contrário, estão convencidos que o povo foi cacicado ou se enganou. E não admitem que quem detém o poder não sejam os seus amigos. Eles pensam a democracia como um instrumento ao seu serviço, dos amigos e dos interesses. Eles não admitem que o seu tempo está a passar (ou já passou). Eles esquecem que, para o bem ou para o mal, quem hoje ocupa o poder são os filhos deles: se são maus... é porque foram formados assim!
Para acabar com quem comecei. O problema dos tropas (do exército em particular) é que quiseram acabar com a guerra colonial e manter as mordomias. Mas o dinheiro não chega para sustentar tantos generais e outros oficiais superiores, mais os inferiores, os sargentos, os praças e a modernização do material. Eles não querem perceber que é mais importante um fontanário de aldeia que uma bala e que o dinheiro que gastamos para eles preguiçarem nas paradas dos quartéis era mais bem empregue no reforço da vigilância das florestas, por exemplo!
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